Como num sonho, Phillip Tyrer se levantara, meio trôpego, e seguira a mulher por um corredor, entrando num cômodo, atravessando-o, passando por uma varanda, entrando em outro cômodo. Raiko gesticulara para que ele ficasse ali e se retirara, fechando o
Um lampião a óleo com uma copa. Um braseiro de carvão para proporcionar calor. Sombras e trevas, manchas de luz.
O coração de Tyrer passara a bater ainda mais depressa, e ele forçara a mente a recordar as instruções de André, através do nevoeiro de s
Metodicamente, ele começara a se despir. Casaco, colete, gravata, camisa, camiseta de lã, cada peça dobrada de forma impecável e ajeitada numa pilha, num processo cada vez mais nervoso. Tyrer sentara, contrafeito, tirara as meias, depois a calça, com alguma relutância, e tornara a se levantar. Só ficara com a ceroula de lã. Hesitara por um instante, dera de ombros e tirara a ceroula, dobrando-a com um cuidado ainda maior. Sentindo apele toda arrepiada, fora para a sala de banho. Ali, pegara água da tina, com as mãos em concha, seguindo as instruções, e a derramara sobre os ombros, sentindo um agradável calor. Repetira o gesto, e nesse instante ouvira o
— Deus Todo-Poderoso!
A mulher era corpulenta, com antebraços enormes, o
—
— Wakarimasu. Eu compreendo.
E depois, antes que Tyrer pudesse impedi-la, ela despejara água sobre sua cabeça — o que era inesperado, não fora incluído em suas instruções — e passara a ensaboá-lo, lavando os cabelos compridos, o corpo em seguida, com dedos firmes, eficientes e insistentes, mas tomando cuidado para não machucar o braço. Pernas, braços, na frente, atrás, e depois lhe oferecera o pano, apontara para a virilha. Ainda em choque, Tyrer limpara essas partes e devolvera o pano, submisso.
— Obrigado — murmurara ele. — Oh, desculpe, domo.
Mais água enxaguou o resto de espuma e a mulher apontara para a tina.
— Dozo! Por favor. André explicara:
— Deve se lembrar, Phillip, que ao contrário de nós, você tem de se lavar e se limpar antes de entrar no banho, a fim de que outras pessoas possam usar a mesma água... o que é bastante sensato, já que a lenha é muito cara, e demora muito para se esquentar a água o suficiente. Assim, não deve urinar na água. Também não pense nela como uma mulher, enquanto estiver na sala de banho, apenas como uma ajudante. Ela o limpa por fora, e depois por dentro, entende?
Tyrer se acomodara na tina. A água estava quente, mas não demais, e ele fechara os olhos, não querendo observar a mulher aprontar o banho. Oh, Deus, pensara ele, angustiado, nunca serei capaz de fazer qualquer coisa com essa mulher! André cometera um grave erro.
— Mas... ahn... não sei quanto pagar... e devo dar o dinheiro a ela antes ou depois?
—
Assim, Tyrer prometera e jurara, com vontade de perguntar muitas coisas, mas não ousando.
— Essa... ahn... conta, quando será apresentada?
— Quando a
O calor do banho quente o envolvera por completo. Mal percebera o barulho da mulher se retirando, para voltar logo em seguida.
— Taira-san?
— Hai? Sim?