O tempo passou, outra hora, talvez minutos, e depois ele tomou o elixir, relaxou, contente, sabendo que em breve estaria flutuando no sono, a mão de Angelique em seu corpo, sua própria mão a explorando, nos seios, por toda parte, ela também o acariciando, na maior felicidade, num contato que não se limitava às mãos.

15

Sexta-feira, 3 de outubro:

Logo depois do amanhecer, Angelique saiu da cama, sentou à penteadeira, diante das janelas da sacada que dava para a High Street e a enseada. Sentia-se muito cansada. Seu diário estava na gaveta trancada. A capa era de couro vermelho, opaco, e também tinha um cadeado. Ela pegou a pequena chave no esconderijo, abriu o diário, mergulhou a pena na tinta e começou a escrever, mais como se fosse de uma amiga para outra... e o diário parecia agora sua única amizade, a única coisa com que se sentia segura:

“Sexta-feira, dia 3: outra noite péssima, e me sinto horrível. Já se passaram quatro dias desde que André me deu a terrível notícia sobre o pai. A partir de então, tenho sido incapaz de escrever qualquer coisa, de fazer qualquer coisa, venho trancando as portas e ‘ficado de cama’, simulando uma febre, levantando-me apenas uma ou duas vezes por dia para visitar meu Malcolm, atenuar sua ansiedade. Fecho a porta a todo mundo, à exceção de minha criada, a quem odeio, e concordei em receber Jamie uma vez, e também André.

Pobre Malcolm, ficou fora de si de preocupação no primeiro dia em que não apareci, nem abri minha porta, e insistiu em ser carregado numa maca até meu boudoir, para me ver... mesmo que tivessem de arrombar a porta. Consegui evitar que isso acontecesse forçando-me a visitá-lo, dizendo que estava bem, apenas sentia uma dor de cabeça, que não precisava dos cuidados de Babcott, e ele não precisava se preocupar com minhas lágrimas. Em particular, disse-lhe que era apenas ‘aquela época do mês’, e às vezes o fluxo era muito intenso, e meus dias eram irregulares. Ele ficou embaraçado de maneira inacreditável por eu ter mencionado meu período! Inacreditável! Quase como se nada soubesse sobre essa função feminina. Às vezes não consigo entendê-lo nem um pouco, embora ele seja gentil e atencioso, como jamais conheci outro igual. Mais uma preocupação: a verdade é que o pobre coitado não parece muito melhor, e todos os dias sente tanta dor que tenho vontade de chorar.”

Bendita Mãe, dê-me forças!, pensou ela. E há outro problema. Tento não me preocupar, mas estou frenética. O dia se aproxima. Quando chegar, ficarei livre daquele terror, mas não da penúria.

Ela recomeçou a escrever.

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