Tyrer relatou os detalhes e sua solução, mas não falou sobre a ameaça do
— Eu gostaria de mantê-lo aqui, senhor... com sua aprovação, é claro. É um mestre excelente e creio que nos será muito útil.
— Duvido muito e é ainda mais importante que não haja novos problemas aqui. Não há como prever o que esse homem fará. Pode se tornar uma víbora no nosso ninho. Terá de ir embora amanhã.
— Mas ele já me forneceu algumas informações muito valiosas, senhor! —protestou Tyrer, reprimindo sua súbita aflição. — Por exemplo, contou-me que o xógum é apenas um menino, mal completou dezesseis anos, e não passa de um títere do
— Deus Todo-Poderoso! — explodiu Sir William. — Isso é mesmo verdade? Tyrer já ia revelar que Hiraga falava inglês, mas conteve-se a tempo.
— Ainda não tenho certeza, senhor. Não tive tempo de interrogá-lo direito pois é um homem difícil, mas creio que é verdade.
Sir William sentia-se ansioso com as implicações da informação.
— O que mais ele disse?
— Apenas comecei, e essas coisas demoram, senhor, como deve compreender. — O excitamento de Tyrer era cada vez maior. — Mas já me falou sobre os
— Espere um pouco, Tyrer. Fale mais devagar. Temos bastante tempo. O que é exatamente um
Tyrer contou.
— Por Deus! — Sir William pensou por um momento. — Portanto, os
— Sim, senhor. Ele diz que o governo é ilegal.
Sir William tomou o último gole de seu gim, acenando com a cabeça para si mesmo, atônito e exultante, enquanto repassava tudo em sua mente.
— Então Nakama é um
— Sim, senhor. Com licença, senhor, mas posso sentar? — perguntou Tyrer com a voz trêmula, ansioso em contar a verdade sobre o homem, mas com medo fazê-lo.
— Claro, claro, Tyrer, desculpe. Mas, primeiro, sirva-se de outro xerez e traga uma dose de gim.
Sir William observou-o, satisfeito com ele, mas também um pouco com pena. Com anos de lida com diplomatas, espiões, meias verdades, mentiras e clamorosas desinformações faziam soar os sinais de alarme de que alguma coisa lhe era ocultada. Ele aceitou o drinque.
— Obrigado. Sente naquela cadeira, é a mais confortável. A nós. Você deve estar falando um excelente japonês para obter tudo isso em tão pouco tempo.
— Não, senhor, ainda não, mas passo bastante tempo estudando. Com Nakama, uso a paciência, gestos, umas poucas palavras de inglês, palavras e frases japonesas que André Poncin me ensinou. Ele tem me ajudado muito, senhor.
— André sabe o que esse homem lhe contou?
— Não, senhor.
— Não lhe diga nada. Absolutamente nada. Mais alguém sabe?
— Não, senhor, exceto Jamie McFay. — Tyrer tomou um gole do xerez. — Ele já sabia alguma coisa, e... hum... foi muito persuasivo, arrancou-me a informação sobre o xógum.
Sir William suspirou.
— É verdade, Jamie pode ser muito persuasivo, para dizer o mínimo, e sempre sabe muito mais do que diz.
Ele recostou-se na confortável cadeira giratória de couro antigo, tomou outro gole do drinque, a mente avaliando todos aqueles novos conhecimentos, de valor inestimável, já reformulando sua resposta para a rude missiva daquela noite, especulando até que ponto ousaria jogar, o quanto podia confiar na informação de Tyrer. Como sempre, nessas circunstâncias, ele recordou, contrafeito, os comentários de despedida do subsecretário permanente sobre o fracasso.
— A respeito de Nakama, concordarei com seu plano, Phillip... posso chamá-lo de Phillip?
Tyrer corou de satisfação pelo súbito e inesperado cumprimento.
— Claro, senhor. Obrigado.
— Eu é que agradeço. No momento, concordarei com seu plano, mas, pelo amor de Deus, tome cuidado com ele, não esqueça que os
— Tomarei cuidado, Sir William. Não se preocupe.
— Arranque tudo o que puder dele, mas não conte a mais ninguém, e me transmita imediatamente. Pelo amor de Deus, tome cuidado, sempre tenha um revólver na mão, e se ele apresentar a menor indicação de violência, trate de atirar ou ponha-o a ferros.