— Meu avô também tem a honra de fazer negócios com a zaibatsu Gyokoyama... por intermédio da qual suas aldeias vendem todas as suas colheitas — acrescentara ele, sempre polido.— Eu agradeceria se fizesse o favor de lhes enviar uma nota de crédito minha para Osaca e me adiantasse algum dinheiro por conta.
— Iedo fica mais perto do que Osaca, Otami-san.
— É verdade, mas Osaca é melhor para mim do que Iedo.
Hiraga não queria arriscar qualquer contato com Iedo, onde poderia haver vazamentos para o
— Minha companhia sente-se honrada em servir velhos clientes. Por favor quanto tempo desejaria permanecer em minha casa?
— Uns poucos dias, se não lhe causasse muita inconveniência.
Hiraga falara sobre Tyrer e o problema dos soldados, apenas porque tinha a certeza que a notícia o precedera.
— Pode ficar pelo menos três dias, Otami-san. Sinto muito, mas deve estar preparado para ir embora depressa, no caso de um súbito ataque, de dia ou de noite.
— Eu compreendo. Obrigado.
— Por favor, peço que me desculpe, mas eu gostaria de ter uma ordem assinada por esse Taira ou, melhor ainda, pelo chefe dos
— Providenciarei essa ordem. — Hiraga se inclinara em agradecimento encobrindo sua irritação pelas restrições. — Obrigado.
O
— Quer a quantia em dinheiro?
— Não, obrigado, pois ainda me restam alguns oban — respondera Hiraga, exagerando, reduzido aos últimos dois. — Por favor, abra uma conta para mim, deduza os custos do meu quarto e comida. Também preciso de algumas roupas e espadas, e agradeceria se me providenciasse uma massagista.
— Claro, Otami-san. Quanto às roupas, o criado lhe mostrará nosso estoque. Escolha o que quiser. Quanto às espadas... — Ryoshi dera de ombros. —... as únicas que tenho aqui são imitações para os
Hiraga o seguira. Ryoshi não fizera qualquer comentário sobre sua nudez e os machucados, nem lhe fizera perguntas.
— É bem-vindo aqui, uma honra para minha humilde casa — dissera ele, antes de deixá-lo.
Recordando agora a maneira como isso fora dito, Hiraga sentiu sua pele arrepiar... polida e solene, mas ameaçadora e mortífera por trás. É repulsa — pensou ele, lamentável que os samurai
— O que é, lorde? — perguntou a massagista, assustada.
— Nada, nada. Por favor, continue.
Seus dedos obedeceram, mas o contato era diferente agora, havia tensão no ar. O recinto era espaçoso, com oito esteiras, os futons estofados com o tatame da melhor qualidade, os
Esperando, Escutando a chuva
Batendo na chuva
Solitária, mas transbordando de esperança pelo retorno de seu homem. Hiraga resvalava para o sono quando a porta corrediça foi aberta.
— Com licença, lorde. — O criado ajoelhou-se e acrescentou, apreensivo: — Sinto muito, mas há uma pessoa de baixa classe lá fora que alega conhecê-lo, pede para vê-lo, sinto muito incomodá-lo, mas ele é muito insistente e...
— Quem é ele? Qual é seu nome?
— Ele... não quis dar seu nome e também não falou em seu nome, lorde, mas disse: “