Passaram por fileiras de canhões reluzentes no tombadilho superior — o convés principal, com uma atividade intensa por toda parte, canhões sendo imobilizados em suas posições, cabos enrolados, velas inspecionadas, fumaça saindo pela chaminé — subiram por uma passagem, desceram por outra, para o segundo convés de canhões, onde outros marujos também cuidavam dos equipamentos, e chegaram ao camarote do almirante, na popa. O fuzileiro de sentinela assumiu posição de sentido, enquanto Marlowe batia na porta.
— Sir William?
— Abra logo essa porta, Marlowe, pelo amor de Deus!
Marlowe abriu a porta para Sir William e começou a fechá-la.
— Fique aqui, Marlowe! — ordenou o almirante.
O camarote grande estendia-se por toda a popa do navio, com várias vigias, na mesa grande, cadeiras presas ao chão, um pequeno beliche, vaso sanitário, aparador largo, cheio de garrafas de cristal. O almirante e o general meio que ergueram, numa polidez simbólica, e tornaram a sentar. Marlowe permaneceu junto da porta.
— Obrigado por vir tão depressa, Sir William. Conhaque? Xerez?
— Conhaque, almirante Ketterer. Obrigado. Algum problema?
O homem de rosto vermelho lançou um olhar irritado para Marlowe.
— Faça o favor de servir um conhaque para Sir William, Marlowe.— Depois, ele jogou um papel em cima da mesa. — Despacho de Hong Kong.
Depois das saudações floreadas habituais, o despacho dizia:
— Desgraçados! — murmurou Sir William, experimentando uma náusea adicional ao pensamento de que, já que os piratas eram endêmicos em todas as águas asiáticas, em particular do norte de Cingapura até Pequim, e as frotas do Lótus Branco as mais abundantes e notórias, a mulher poderia muito bem ter sido sua esposa, que deveria chegar a Hong Kong a qualquer semana, procedente da Inglaterra, com três de seus filhos. — Vão partir com a maré cheia?
— Isso mesmo.
O almirante estendeu um envelope por cima da mesa. Sir William rompeu o lacre e leu: