— Shizuka boa, trabalhar bem noite.

Tai-pan, bem?

Ela revirou os olhos.

— Hai, Jami-san, Shizuka boa!

Todas as perguntas adicionais de McFay só produziram reverências e sorrisos das duas, por isso ele agradeceu a Shizuka, cujos honorários já haviam sido acertados.

— “crédito tai-pan grande muito bom”, dissera-lhe a mama-san. Pela última vez, Nemi fez com que ele jurasse segredo. O criado à espera levou-as de volta à Yoshiwara.

Perturbado, mas sem saber por que, embora certo de que não lhe fora revelada toda a verdade, McFay voltou na ponta dos pés, parou ao lado da cama, mas Struan continuava num sono profundo, a respiração tranquila. Por isso, ele foi para o escritório e começou a trabalhar.

Até pouco depois das dez horas.

— Olá, doutor. Entre. É um prazer vê-lo de novo. Quais são as novidades?

A expressão de Hoag era sombria.

— Ah Tok mandou me chamar, e acabei de ver Malcolm... essa é a novidade. Eu gostaria que você tivesse me perguntado antes de... ora, Jamie, pelo amor de Deus! — Ele viu McFay corar e se apressou em acrescentar: — Sei que foi ele quem pediu a você para arrumar tudo, mas deveria ter pensado em me perguntar primeiro... Eu diria que era óbvio que seria perigoso, um absurdo tentar tão cedo, depois de um ferimento assim, com metade de suas entranhas costurada, quase ao ponto de rompimento...

Hoag fez uma pausa, sentou e murmurou, mais calmo:

— Desculpe, mas eu tinha de descarregar.

— Não tem problema... É grave?

— Não sei. Há um pouco de sangue na urina e ele sente muita dor nos rins. Parece que a mulher foi muito vigorosa, ele se deixou arrebatar e disse que, quando alcançou o orgasmo, teve um espasmo no estômago, ficou com cãibras. Pobre coitado... embora sinta muita dor agora, diz que valeu a pena.

— Ele disse isso?

— E com detalhes... mas não diga que lhe contei, está bem? Dei uma poção para acabar com a dor e ele deve dormir por uma ou duas horas. Voltarei mais tarde. — Hoag suspirou, levantou-se, com um sorriso desolado. — Recebi outra carta da Sra. Struan. E você?

— Também recebi. Igual às anteriores. Vai ordenar que ele volte a Hong Kong agora?

— Não posso ordenar que ele faça qualquer coisa. Malcolm irá quando quiser; não podemos esquecer que esta é a temporada das tempestades. Ele seria sensato em permanecer aqui... a menos que haja alguma coisa premente em Hon Kong.

— Há dezenas de motivos para voltar... é o centro do poder e não há nada para ele fazer aqui.

Hoag deu de ombros.

— Concordo que Hong Kong seria melhor. Eu planejava voltar no navio de correspondência, mas depois da noite passada acho que esperarei com ele por mais alguns dias.

— Por favor, leve-o com você, no navio de correspondência.

— Já sugeri isso, e recebi como resposta um “não” pouco polido. Esqueça, Jamie. Não há nada de errado em Malcolm continuar repousando aqui, e uma viagem marítima difícil seria extremamente prejudicial, poderia até matá-lo. Por falar nisso, ouvi dizer que pode haver outro baile na próxima terça-feira, com Peitos-de-Anjo como a convidada de honra.

— Malcolm não mencionou nada.

— Sob os auspícios do embaixador Seratard, de ancestral duvidoso, pai de todos os franceses. Bom, tenho de ir agora... mantenha-me informado de tudo o que acontecer por aqui, e se Malcolm pedir por outro encontro similar, consulte-me primeiro, em particular.

— Está certo. Obrigado, doutor.

Mais tarde, Vargas bateu na porta.

— Senhor, Ah Tok diz o que tai-pan quer lhe falar.

Subindo a escada, Jamie sentiu uma súbita contração no estômago, imaginando-se no lugar de Malcolm.

— Senhor McFay! — gritou Vargas lá de baixo. — Com licença, mas os samurais de Choshu acabam de chegar, para tratar daquela encomenda de rifles.

— Voltarei num instante. McFay bateu e abriu a porta.

— Olá, tai-pan — disse ele, gentilmente. Struan estava recostado nos travesseiros, com uma expressão estranha, um sorriso apático. — Como se sente hoje?

— Falou com Hoag?

— Falei.

— Neste caso, já sabe que ela foi bastante satisfatória e... Obrigado, Jamie. Ela ajudou muito, mas... — Struan soltou uma risada nervosa. — ...mas o final me deixou um pouco abalado. Um corpo espetacular. Foi tudo bastante satisfatório. Mas creio que não precisarei de uma repetição do desempenho, até me sentir melhor. Mas pelo menos ela me livrou... do tremendo acúmulo.

Ele fez uma pausa, soltou de novo a risada curta e nervosa.

— Não imaginava, Jamie, como uma mulher tão pequena podia ser tão boa ou tão... pode compreender, não é?

— Claro que posso. Tudo transcorreu de acordo com o plano?

Por um instante, Struan hesitou, mas logo disse, com firmeza:

— Melhor até... quero que você dobre o pagamento dela.

— Está certo.

McFay podia perceber a ansiedade latente e seu coração se confrangeu por Malcolm. Independente do que pudesse acontecer, o encontro com Shizuka tinha de ser mantido em segredo. Se é assim que ele quer, tudo bem. Não cabe a mim decidir. O que está feito está feito. Apenas mais um segredo para acrescentar aos demais.

— Fico contente que tudo tenha corrido bem.

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