Tyrer escutou a explicação com absoluta atenção, perdendo muitas palavras, mas compreendendo o essencial, assim como sabia que o outro homem também perdia muitas palavras em inglês. Falamos mais inglês do que japonês, pensou ele, contrariado, mas não importa. Nakama é um grande mestre e parece que chegamos ao melhor acordo possível — sem ele, eu não estaria aqui, provavelmente já teria morrido, e com certeza nunca alcançaria o prestígio que adquiri com Marlowe Pallidar e Wee Willie Winkie, muito menos obteria as valiosas informações que me são fornecidas. Tyrer sorriu. Agradava-lhe ser capaz de pensar em Sir William agora pelo apelido, quando apenas poucos dias antes tinha pavor do homem.
— Ah, agora entendo! Também usamos uma massa assim!
— Essa comida a seu gosto, Taira-san? — perguntou Hiraga, passando para o inglês.
— Sim, obrigado. — Sempre que podia, Tyrer respondia em japonês.— Obrigado por tudo, massagem, banho, agora camo, desculpe, agora calmo e feliz.
Alguns dos alimentos ele achava saborosos, como
— Meu filho, já que insiste nessa idéia drástica de se tornar intérprete de japonês, então aconselho que mergulhe no modo de vida deles, seus alimentos, e assim por diante... sem esquecer que é um cavalheiro inglês, com suas obrigações, um dever cora a coroa, o império e Deus...
Ele se perguntou o que o pai diria a respeito de Fujiko. Ela é sem dúvida parte do modo de vida deles. Radiante, Tyrer apontou com um pauzinho.
— O que é isto?
— Oh, desculpe, Taira-san, mas é falta de educação apontar com a extremidade fina do
Antes que Hiraga pudesse detê-lo, Tyrer pegou o nódulo de pasta verde e pôs na boca. No mesmo instante, sua boca pegou fogo, ele ofegou, os olhos lacrimejando, quase cego. A ardência passou depois de algum tempo, mas deixou-o ofegante.
— Por Deus — disse Hiraga, copiando Tyrer, esforçando-se para não rir. — Wasabeh não se comer, apenas pôr um pouco no soy para torná-lo picante.
— Engano meu — balbuciou Tyrer, ainda meio sufocado. — Por Deus, isso é letal, pior do que pimenta! Próxima vez, eu cuidadoso.
— Muito bom para homem que começa, Taira-san. E aprender japonês bem depressa, muito bom.
— Domo, Nakama-san, domo.
O mesmo com você, em relação ao inglês. Satisfeito com o elogio, Tyrer concentrou-se em ser mais hábil. A próxima coisa que experimentou foi tako, tentáculo de polvo. Tinha um gosto de borracha, mesmo com soy e wasabeh.
— Isto é saboroso, gosto muito.
Estou faminto, pensou Tyrer. Gostaria de mais galinha, outra tigela de arroz, mais vinte camarões no tempura. Hiraga come que nem um bebé. Mas não importa. Tenho um samurai como anfitrião, não faz uma semana que ele nos ajudou a sair da legação em Iedo sem um incidente internacional, não se passaram seis semanas desde que conheci André e já sei falar um pouco de japonês, já sei mais sobre os seus costumes que a maioria dos mercadores, que aqui se encontram desde o início. Se puder continuar assim, serei promovido a intérprete oficial em poucos meses e ganharei um salário condizente... quatrocentas libras por ano! Hurra... ou Banzai, como dizem os japoneses. Na atual taxa de câmbio, posso muito bem comprar outro pônei, mas antes disso...
Seu coração se acelerou.
Antes disso, comprarei o contrato de Fujiko. Nakama prometeu ajudar e assim não terei problemas. Ele garantiu. Talvez possamos começar esta noite... graças a Deus, Fujiko voltou da visita à avó. Creio que não deveria, porque hoje é domingo, mas não importa. Karma.
Ele suspirou. Entre André e Nakama descobrira essa palavra e a maneira maravilhosa como se tomara uma panaceia para todos os acontecimentos, bons ou maus, sobre os quais não tinha controle.
— Karma!
— O quê, Taira-san?
— Nada. A comida é boa.
— A comida é boa — arremedou Hiraga. — Obrigado, eu satisfeito.
Ele pediu mais cerveja e
— Gostaria de experimentar Sobre a Montanha?
— Mas que homem terrível! Sobre a Montanha? Oh, não, não, para mim nem sob, mas posso tocar a flauta, por um oban de ouro!
Ambos riram, pois um oban de ouro era preço afrontoso, a taxa que uma cortesã de primeira classe poderia cobrar por um serviço assim. A criada serviu o
— O que ela diz, Nakama-san?
Ele sorriu.