— Agora — disse Sir William, empinando o queixo — vamos passar para o segundo ponto da reunião. O governo de sua majestade real firma que na sexta-feira, dia 12 de setembro, no ano de Nosso Senhor de 1862, um cavalheiro inglês foi abominavelmente assassinado por samurai
Sir William deu tempo para que Johann traduzisse palavra por palavra, mas não permitiu qualquer discussão, até concluir a lista. Adamson também exigiu uma reparação pelo assassinato de um funcionário americano e, por último, o ministro russo se manifestou. As medalhas retinindo no uniforme de alamares dourados, o conde Zergeyev declarou:
— Um oficial e um soldado russos do nosso navio de guerra Gudenev foram retalhados até a morte em Iocoama, no dia 16 de fevereiro do ano passado. — Para consternação dos outros, ele acrescentou: — Como reparação, o czar de todas as Rússias, Alexandre II, exige as ilhas Kurilas.
Durante as traduções, Sir William inclinou-se e sussurrou em russo, num tom jovial:
— Uma boa pilhéria, conde Alexi, pois é claro que o governo de sua majestade nunca poderia concordar com tal intromissão em nossa esfera de influência.
— Talvez sim, talvez não. A guerra na Europa é iminente outra vez. Muito em breve teremos de definir quem são os nossos amigos e quem são os inimigos.
Sir William riu.
— O que é sempre um problema para determinados países. O Reino Unido não tem inimigos permanentes, apenas interesses permanentes.
— É verdade, meu caro amigo, mas esqueceu de acrescentar “não tem amigos permanentes”. Agora, com Vladivostok, também somos uma potência do Pacífico.
— O poder de mar a mar? O sonho dos czares, hem?
— Por que não? Melhor nós do que outros — disse o conde Alexi, incisivo, para depois dar de ombros. — As Kurilas? Se não elas, algumas outras ilhas... para proteger Vladivostok.
— Devemos discutir sua “curiosa” presença no Pacífico em condições mais adequadas. Meu governo está muito interessado.
Seratard, sem entender russo e furioso por sua exclusão dessa conversa, disse friamente, em francês:
— Espero que esteja mantendo em primeiro plano os interesses franceses, Sir.
— Como sempre,
Johann interveio, cansado:
— Sir William, o ancião diz... apenas reitera a posição anterior, que eles não têm jurisdição sobre
— Que canais competentes?
As traduções, de novo.
— Por intermédio deles, que reapresentarão o pedido a
— Não é um pedido, por Deus! Vamos tentar pela última vez, ressalte isso Johann, por um caminho diferente. Pergunte se eles punem os assassinos e diga ao intérprete que exijo um sim ou não. Só isso.
As traduções.
— Ele diz, Sir William, que em algumas circuns...
— Assassinato! Sim ou não! Phillip, diga isso em japonês!
Tyrer sentiu o estômago embrulhar. Estivera observando o ancião moreno sussurrar mais uma vez, mas levantou-se de um pulo.
— Honrados lordes, por favor, perdoem meu péssimo japonês, mas meu superior pergunta se quando assassinato, vocês matam assassino, sim ou não, por favor.
Silêncio. Os anciãos olharam para Yoshi, que olhou para Tyrer, as mãos mexendo no leque. O homem ao seu lado sussurrou alguma coisa e ele acenou com a cabeça.
— A pena para assassinato é morte.
— Ele diz que sim, senhor. Para assassinato, a pena é de morte.
Tyrer aprendera essas palavras essenciais com Nakama, que também lhe explicara o código penal japonês e seu rigor.
— Diga-lhe obrigado.
— Meu superior diz obrigado, lorde.
— Agora, pergunte a ele: É correto exigir reparação por um crime assim, sim ou não?
— Lorde, por favor, desculpe, mas é... é.... eu... — Tyrer parou, com um súbito branco. — Desculpe, Sir William, mas não conheço a palavra para “reparações”.
André Poncin interveio:
— A palavra é bakkin, Sir William, pouco conhecida. Posso tentar, por favor?
— Claro.
— Honrados lordes — disse Poncin, com uma reverência profunda, deixando Tyrer agradecido por salvá-lo —, meu superior pergunta se correto, humildemente pede justiça e pagamento para família, por assassinato, uma multa contra