— Ainda bem. É sempre melhor se aliviar antes de uma reunião... de qualquer maneira, uma bexiga forte é uma dádiva importante para um diplomata.
Depois que Sir William e os outros ministros urinaram, ele conduziu-os através da porta: Seratard, conde Zergeyev, von Heimrich, van de Tromp, Adamson e um recém-chegado, pelo último navio de correspondência, o burgomestre Fritz Erlicher, da Confederação Helvética — Suíça —, um gigante barbudo da capital, Berna, que falava francês, inglês, alemão, holandês e muitos dialetos alemães. Phillip Tyrer e Johann seguiam logo atrás, com André Poncin caminhando ao lado de Seratard.
A sala de audiências tinha quarenta metros quadrados, teto alto, vigas grossas, muito limpa, arejada, paredes de pedra com fendas para arqueiros como janelas. Havia samurai
— Por favor, sentem para o chá.
Sir William percebeu que Johann conversava com seu ministro suíço e disse irritado:
— Phillip, pergunte a esse sujeito onde está o Conselho de Anciãos, os
Disfarçando seu nervosismo, consciente de que todos os olhos fixavam-se nele, e sentindo vontade de urinar outra vez, Phillip Tyrer aproximou-se do representante do
— Onde estão suas maneiras? Faça uma reverência! Sou um lorde em meu país e represento estes altos lordes!
O homem ficou vermelho, fez uma reverência profunda, murmurou um pedido de desculpas. Tyrer sentiu a maior satisfação por ter tido a cautela de pedir a Nakama que lhe ensinasse algumas frases fundamentais. Interpelou o homem de uma forma ainda mais autoritária:
— Onde estão seus superiores, os
— Ah, sinto muito, por favor, desculpe, lorde — balbuciou o homem.— Eles pedem que esperem aqui... ahn... descansando da viagem.
Tyrer não entendeu todas as palavras, mas captou a essência.
— E depois?
— Terei a honra de conduzi-los ao local da reunião — respondeu o homem, os olhos cautelosamente abaixados.
Mais uma vez, para seu enorme alívio, Tyrer compreendeu. Enquanto relatava a conversa a Sir William, podia sentir um suor frio nas costas e refletiu que tivera sorte até agora.
Sir William soltou um grunhido e inclinou-se para os outros.
— Acham que devemos esperar, senhores? Eles estão atrasados... tínhamos combinado que entraríamos direto na reunião... não quero esperar nem aceitar o chá como desculpa.— À aprovação geral, ele acrescentou:— Ótimo. Phillip, diga a esse sujeito que viemos aqui para falar com os
— Até que ponto... hum... deseja que eu me mostre veemente, senhor?
— Pelo amor de Deus, Phillip, se eu quisesse que você fosse prolixo e diplomático, teria sido eu mesmo prolixo e diplomático. Afunção de um intérprete é traduzir exatamente o que foi dito, não dar a sua interpretação das palavras.
— O grande lorde diz: quer ver
O funcionário do
— Claro que os levarei, assim que acabarem de tomar o chá e estiver tudo pronto para a recepção perfeita, mas sinto muito, não é possível agora, porque as augustas pessoas não vestiram ainda os trajes corretos, e assim não é possível atender ao pedido inconveniente de seu amo, intérprete-san.
— Por favor, fale de novo, não tão depressa — pediu Tyrer, angustiado.
Outro fluxo de japonês e ele disse:
— Sir William, acho que está dizendo que temos de esperar.
— É mesmo? Por quê?
— Meu amo diz, por que esperar?
Mais japonês, que Tyrer não entendeu, e por isso o homem passou para o holandês. Erlicher interveio na conversa, irritando ainda mais Sir William e os outros. Ao final, Erlicher disse:
— Parece, Sir William, que os
— Por favor, diga a esse sujeito, com toda a rispidez necessária, para nos levar até lá imediatamente, que chegamos na hora marcada, e que as reuniões de alto nível sempre começam na hora, porque as duas partes têm outros importantes problemas de Estado a tratar, como já expliquei cinqüenta vezes! E diga a ele para se apressar!