— Contra Satsuma, sim — respondeu Yoshi, com um sorriso fugaz. André deixou escapar um suspiro de alívio.

— Ele diz que sim, Sir William, mas a reparação deve ser exigida de Satsuma. Antes que Sir William pudesse formular outra pergunta, Poncin, em seu mais perfeito e ensaiado japonês, para surpresa de Tyrer, começou a oferecer a fórmula salvadora que imaginara:

— Honrado lorde, em nome de meu superior, humildemente sugiro que o roju talvez condere, ah, desculpe, talvez considere emprestar Satsuma primeiro pagamento, um quinto. Isto oferece agora, dá tempo Satsuma, cobra resto de Satsuma. Por favor?

Desta vez todos perceberam o interesse do jovem ancião. No mesmo instante, ele iniciou uma conversa sussurrada com os outros. André viu que Tyrer o fitava com o rosto franzido e sacudiu a cabeça de leve, num pedido silencioso para que não interferisse. Depois de um momento, Yoshi disse:

— Talvez seja possível oferecer um vigésimo, a ser pago em cem dias, contra a dívida óbvia de Satsuma.

— Honrados lordes...

— O que ele e o ancião estão dizendo, Phillip?

— Só um instante, Sir William — disse André, em tom amável, mas com vontade de esganá-lo. — Honrados lordes, meu superior recomendaria um décimo, em sessenta dias. Sinto muito, por favor, desculpem péssima pronúncia, mas humildemente, muito humilde, peço que sim.

Bastante aliviado, Poncin observou os anciãos iniciarem a discussão e tornou a arriscar:

— Desculpe, Sir William, mas como Phillip pode confirmar, sugeri que eles considerem o pagamento adiantado, em nome de Satsuma, que deve pagar, dizem eles, com toda razão, toda e qualquer reparação.

— É mesmo? E eles vão aceitar? — Sir William fitou-o surpreso, esquecendo o cansaço. — Bom trabalho... se eles aceitarem, então posso fazer concessões, hem? Vocês concordam?

Por uma questão de cortesia, ele virou-se para os outros, à espera de suas opiniões. Por trás dele, Tyrer assoviou baixinho, tendo compreendido a maior parte do que Poncin dissera em japonês e percebido a maneira como ele manipulava o ancião e o ministro, assim como a ligeira, mas importante diferença na tradução para o inglês. André é muito esperto, mas o que está tramando? A idéia é dele ou de Seratard? Outra vez Olhos Matreiros se pôs a sussurrar, em tom confidencial, para o jovem ancião, cuja atenção se concentrava nos ministros. É quase como...

Subitamente, foi como se cataratas tivessem sido removidas de seus olhos e pudesse enxergar com clareza de novo. Ainda mais do que isso, agora via os anciãos com olhos objetivos, não mais com a visão indireta e preconceituosa de um suposto homem civilizado, contemplava-os como pessoas também civilizadas, também simples ou complexas, mas pessoas, e não mais como exóticos, misteriosos ou estranhos “japos”, uma posição que despertava o ressentimento de Nakama, Fujiko e até mesmo André de diversas maneiras, e com toda razão.

Deus Todo-Poderoso, Olhos Matreiros entende o inglês, ele sentiu vontade de gritar, extasiado. Esta é a única explicação, ele é um espião do roju, é tão ancião quanto eu, e por esse motivo os outros não lhe dão a menor atenção em suas discussões. O que mais? Ele deve ser o espião de Watanabe, porque é o único para quem sussurrou até agora... preciso descobrir seus nomes verdadeiros e interrogar Nakama a respeito. Watanabe é o mais poderoso deste bando, o presidente em exercício. O presidente ausente? Preciso descobrir seu verdadeiro nome também O que mais? Onde André...

Ele se concentrou, enquanto Yoshi falava ao intérprete. Sua voz se tornara incisiva. O intérprete ficou ainda mais alerta, seu holandês foi vinte vezes mais sucinto. Johann traduziu, tentando conter seu espanto:

— O roju concorda que neste caso é correto pedir uma reparação, de Satsuma, que cem mil parece uma quantia razoável para um nobre, mas não podem dizer se o lorde Satsuma também vai considerar assim. Como um gesto de amizade para os britânicos e com as outras nações, o roju adiantará uma décima parte, em setenta dias, por conta de Satsuma... enquanto os pedidos formais britânicos são encaminhados a Satsuma. Em relação ao pedido do ministro russo, como acontece com a pátria dele, o território japonês é território japonês, e é... Imagino que a palavra seria inviolável ou inegociável.

Sem ser óbvio, Sir William pôs a mão sobre a do conde Alexi, a fim de impedir sua explosão, enquanto murmurava, em russo:

— Deixe como está, Alexi.

Depois, em voz alta, ele acrescentou para Johann, disposto a negociar um prazo menor e uma quantia menor:

— Excelente, Johann. Por favor, diga a eles... Ele parou de falar quando Tyrer sussurrou:

— Com licença, senhor. Sugiro que aceite de imediato, mas insista que precisa saber os nomes deles.

Foi quase como se Tyrer não tivesse falado, pois Sir William continuou sem pausa e sem mudança da expressão:

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