— Também recomendamos que, nas circunstâncias, as salvas podem ser ignoradas. Concorda, Sir William, em nosso nome?
Sir William hesitou, com uma expressão sombria. Para espanto de todos, Seratard declarou, altivo:
— André, diga a eles, em nome da França, que darei minha garantia pelo primeiro pagamento.
Antes que Sir William pudesse falarqualquer coisa, André se inclinou, edisse:
— Meu superior diz, honrados lordes, ele feliz
Os olhos contraídos, Yoshi disse:
— Agradeça a seu amo. A reunião está encerrada.
Um oficial samurai gritou “Kerei!”— saudação —, e todos os outros fizeram uma reverência, mantendo essa posição enquanto os
— Muito satisfatório, Sir William — disse Seratard, expansivo, em francês, pegando-o pelo braço, ansioso em distraí-lo outra vez. — Agiu muito bem.
— Seus superiores no Élysée ficarão furiosos com você quando pedirmos as dez mil libras em ouro — comentou Sir William, um pouco contrariado, mas não muito, pois dera um gigantesco passo à frente, à exceção da salva de canhão. — Mas quer fiquem furiosos ou não, Henri, foi um gesto magnífico, embora dispendioso.
Seratard riu.
— Vinte guinéus dizem que eles vão pagar.
— Apostado. Jantará conosco na legação?
Eles começaram a sair, indiferentes aos olhares arrogantes e belicosos.
— Não, obrigado. Já que concluímos nossos negócios aqui, acho melhor voltar para Iocoama agora, em vez de esperar até amanhã. Há tempo suficiente, e o mar está calmo. Por que esperar pela Pearl? Junte-se a nós, em nossa nave capitânia, e poderemos jantar durante a viagem.
— Obrigado, mas prefiro esperar até amanhã. Quero me certificar de que todos os homens voltaram sãos e salvos para nossos transportes.
Por trás deles, despercebido na multidão, Tyrer esperou por André, que se ajoelhara para ajustar a fivela de um sapato. Sem notar que Tyrer o observava, ele iniciou uma conversa sussurrada com o intérprete japonês. O homem hesitou, depois acenou com a cabeça, fez uma reverência.
— Domo.
André virou-se e deparou com Tyrer a observá-lo. Por uma fração de segundo, ele se mostrou perplexo, depois sorriu e adiantou-se.
— E então, Phillip, não acha que tudo correu muito bem? Você se saiu muito bem, e posso dizer que ganhamos o dia.
— Eu não. Foi você quem salvou o dia... e livrou minha cara, pelo que agradeço. — Tyrer franziu o rosto, inquieto, acompanhando a procissão. — Mesmo assim, embora você tenha superado o impasse de maneira brilhante, o que disse em inglês e o que foi dito em japonês foram coisas diferentes, não é mesmo?
— Não tão diferente assim,
— Não creio que Sir William concordaria.
— Talvez sim, talvez não. Talvez você tenha se enganado. — André forçou uma risada. — Nunca é sensato provocar a irritação de um ministro, hem? Lembre-se de que em boca fechada não entra mosca.
— Na maioria das vezes, é isso mesmo. O que disse àquele intérprete?
— Agradeci a ele.
— A mesma coisa — concordou Tyrer, certo de que André mentia sobre o intérprete.
Mas também por que não o faria? — refletiu ele, com sua nova percepção. André é inimigo; se não inimigo, pelo menos oposição, e todas as nuanças foram para beneficiar Seratard, a França e André. Muito justo. O que ele poderia pedir em segredo? Transmitir uma mensagem, sem dúvida, mas qual? Que mensagem secreta? O que eu pediria secretamente?
— Pediu uma reunião particular com lorde Yoshi, hem? — sugeriu Tyrer arriscando um palpite. — Para você e
A expressão de André Poncin não se alterou, mas Tyrer notou que ficaram brancas as articulações da mão direita, pousada na espada cerimonial.
— Phillip — murmurou ele —, tenho sido um bom amigo desde a sua chegada, ajudando-o a começar a aprender o japonês, apresentando-o às pessoas não é mesmo? Não interferi com seu samurai particular... Nakama... embora fosse informado de que ele tem outros nomes. Não...
— Que outros nomes?— indagou Tyrer, subitamente nervoso, sem saber por quê. — O que sabe sobre ele?
André continuou, como se Tyrer não tivesse falado: