A mente de Norbert Greyforth trabalhara depressa. Mais uma vez, ele avaliara seu futuro e sua posição na Brock, considerando com cuidado o que deveria fazer — as apostas eram imensas. Era bem recompensado... enquanto obedecesse às ordens. A última carta de Tyler Brock abrira uma porta para o paraíso, dizendo-lhe expressamente para “provocar Malcolm Struan até o limite, enquanto ele está doente, ferido e sem a proteção da minha filha insuportável, que Deus a condene ao inferno! Haverá cinco mil guinéus por ano, durante dez anos, se esse rapaz for destruído enquanto estiver no Japão... e você pode adotar qualquer providência que for necessária”.

Norbert completaria trinta e um anos dentro de seis dias. Aos quarenta, a idade normal da aposentadoria, o mercador médio na China já era um velho. Cinco mil por dez anos era sem dúvida uma quantia nababesca, o suficiente para ele e seus descendentes, o suficiente para comprar uma vaga no Parlamento, para se tornar um esquire com um solar, casar com uma jovem que lhe traria um bom dote de boa terra do Surrey.

Era fácil decidir. Ele aproximara o rosto de Struan, e ficara satisfeito ao perceber a dor sob a pele esticada... de uma altura superior, agora que Struan se encolhera sobre as bengalas.

— Escute aqui, jovem Malcolm, você jogou conhaque em minha cara no almoço e pode beijar meu rabo no jantar.

— E você é um bastardo sem mãe!

O homem mais velho soltara uma risada escarninha, cruel.

— E você é um bastardo sem mãe ainda maior, mais do que isso, é...

Babcott se interpusera entre os dois, sua enorme altura e corpulência ofuscando-os.

— Parem com isso, vocês dois! — gritara ele, furioso. — Este é um lugar público e tais divergências devem ser acertadas em particular, como fazem os cavalheiros!

— Ele não é um cava...

— Em particular, Malcolm, como cavalheiros — gritara Babcott, ainda mais alto. — Norbert, qual é o seu desejo?

— Um duelo não é minha opção, mas é isso que esse bastardo quer e assim será! Esta noite, amanhã, quanto mais depressa, melhor!

— Nem esta noite, nem amanhã, nem em qualquer outro dia, pois duelar é contra a lei, mas estarei em seu escritório amanhã, às onze horas.

Babcott olhara para Struan, sabendo que ninguém ali poderia evitar um duelo, se era esse o desejo de ambos. Percebera as pupilas dilatadas e sentira-se triste por Struan, mas ao mesmo tempo furioso. Há algum tempo que ele e Hoag tinham diagnosticado o vício, mas nada do que fizeram ou disseram causara qualquer impressão e também não eram capazes de impedir o acesso ao vício.

— Eu o verei ao meio-dia, Malcolm. Enquanto isso, como a maior autoridade britânica em Iocoama no momento, ordeno que vocês dois não dirijam a palavra um ao outro, nem se agridam, em particular ou em público...

Ora, não importa o desgraçado do Babcott, pensou Struan agora, ainda mais confiante, o conhaque se somando muito bem ao opiato. Amanhã ou depois mandarei Jamie, não, mandarei Dmitri falar com Norbert... não Jamie, pois ele não merece mais minha confiança. Marcaremos o duelo no hipódromo e a Casa Nobre dará a Norbert um funeral nobre... e também ao miserável do Brock, se algum dia ele aparecer por aqui! Ambos esqueceram que você foi o melhor atirador com revólver em Eton, e duelou com aquele canalha do Percy Quill por chamá-lo de china. Matou-o também, e foi expulso da escola por isso, embora o caso tenha sido abafado por papai, por alguns milhares de guinéus. Norbert vai receber o castigo que merece...

Uma comoção na sala atraiu sua atenção. Seratard acabara de entrar, sendo cercado e cumprimentado pelos outros, com André Poncin logo atrás. Através do nevoeiro em sua mente, ouviu Seratard dizer que a reunião em Iedo fora rapidamente concluída, depois que “rompemos o impasse e a proposta francesa foi aceita, por isso não havia necessidade de ficar...”

Seus ouvidos pararam de escutar quando os olhos focalizaram André. O belo e elegante francês, de feições aquilinas e porte ereto, sorria para Angelique, que também sorria em retribuição, com uma felicidade que há dias não demonstrava. O ciúme começou a dominá-lo, mas Struan tratou de reprimi-lo. Não é culpa dela, pensou ele, cansado, nem de André; Angelique vale um sorriso, e não tenho sido boa companhia, estou diferente, cansado de tanta dor, desamparado ainda por cima. Mas eu amo essa mulher e preciso dela desesperadamente.

Ele fez um esforço para se levantar, pediu desculpas por ter de se retirar, agradeceu a hospitalidade. Seratard se mostrou muito simpático, como sempre:

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