— Diz o seguinte: “Caro Jamie”... é a primeira vez que ela usa esse tratamento em muito tempo... “você pode mostrar esta carta a meu filho, se assim o desejar. Estarei enviando Albert MacStruan, assim que puder providenciar, do nosso escritório em Xangai. Deve aceitá-lo como seu sub e lhe ensinar tudo o que puder sobre a nossa operação japonesa, para que, a menos que duas coisas aconteçam, ele possa assumir o comando, quando você deixar a companhia. A primeira coisa é o retorno de meu filho a Hong Kong até o Natal. A segunda é você acompanhá-lo.” — Jamie fitou-o, desolado. — É isso. E mais a assinatura.

— Não, não é isso! — exclamou Malcolm, sentindo que o próprio rosto se tornava quente. — Assim que Albert chegar, terá de voltar no mesmo navio.

— Não há mal nenhum em deixá-lo ficar por alguns dias, dar uma olhada nas coisas. É um bom sujeito.

— A mãe... nunca imaginei que ela pudesse ser tão cruel: se eu não obedecer e me submeter, você está despedido...

Os olhos de Malcolm desviaram-se para a cômoda. Durante as últimas semanas, fizera um imenso esforço para limitar seu consumo a uma vez por dia, mas houvera ocasiões em que fracassara.

— O láudano com moderação, Malcolm — dissera o Dr. Babcott —, é uma panacéia para a dor.

Ele pedira que Malcolm lhe mostrasse o medicamento, não para tirá-lo, apenas para verificar o conteúdo.

— É uma poção bastante forte. Lembre-se de que não é uma cura e, para algumas pessoas, se torna um vício.

— Não para mim. Preciso disso por causa da dor. Acabe com a dor e eu deixarei de tomar.

— Lamento, meu amigo, mas eu bem que gostaria de poder. Seus órgãos internos foram bastante lesionados, não demais, graças a Deus, mas mesmo assim levará algum tempo para uma cura completa.

Tempo demais, pensou Malcolm agora, ou estou pior do que Babcott quer admitir? Ele olhou para as duas cartas, relutando em abri-las. Era muita sordidez usar Jamie como arma.

— Uma indignidade.

— Sua mãe tem certos direitos — murmurou Jamie.

— Ela não é tai-pan, eu é que sou. O testamento do pai foi claro. — A voz de Malcolm era apática, os pensamentos em turbilhão. — Acho que o velho tio Sheeley tinha razão, você tem de fazer jus ao título, não é mesmo?

— Você é o tai-pan. — Jamie falou com extrema gentileza, embora soubesse que não era verdade. — É estranho que Sheeling tenha se referido a Orlov. Há anos que eu não pensava nele. Eu me pergunto o que aconteceu com ele.

— Eu também — disse Malcolm, distraído. — O pobre coitado se tornou um homem marcado depois que explodiu em pleno mar o filho número um de Wu Sung Choi. Deve ter sido seqüestrado pelos piratas do Lótus Branco. Macau é um lugar perigoso, de fácil acesso à China, e o Lótus Branco tem espiões por toda parte. Eu detestaria estar na lista deles...

A voz definhou. Ele baixou os olhos para as cartas, absorto em seus pensamentos. Jamie esperou um pouco e depois disse:

— Dê-me um grito, se eu puder ajudar. Vou examinar o resto da correspondência.

Ele saiu. Malcolm não ouviu a porta fechar. Havia o pós-escrito “eu amo você” na carta da mãe, o que indicava que não continha nenhuma mensagem secreta:

Meu querido mas pródigo filho: Eu planejava viajar no Dancing Cloud, mas decidi contra isso no último minuto, já que Duncan passava mal, com o crupe outra vez. Talvez o que eu tenha a dizer seja melhor por escrito, pois assim não haverá equívocos.

Recebi suas mal-avisadas cartas sobre o que vai fazer e o que não vai fazer, sobre seu “noivado”, Jamie McFay, miss Richaud, etc. — e sobre os cinco mil fuzis. Escrevi imediatamente e cancelei essa encomenda extravagante.

Chegou o momento para decisões às claras. Já que você não se encontra aqui, e não quer fazer o que peço, eu as tomarei. Para o seu conhecimento particular, tenho o direito de fazer isso.

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