Morte a todos os
— Prepare novas instruções: ataque e destrua todos os navios de guerra inimigos.
Basushiro, ainda tentando recuperar o fôlego, murmurou:
— Permite-me sugerir, Sire, que considere “se mais de quatro ao mesmo tempo”? Sempre quis manter a surpresa.
Ogama limpou a boca, acenou com a cabeça, o coração batendo forte ao pensamento de tantos navios que poderia ter destruído. A chuva aumentara e tamborilava no guarda-chuva. Além de Basushiro, ele avistou Yoshi e diversos oficiais, esperando, observando-o, e avaliou se deveria tratar Yoshi como inimigo ou aliado, as implicações da esquadra, sua arrogância, e a própria impotência sufocando-o.
— Yoshi-dono!
Ele fez um sinal para Yoshi, e os dois, juntamente com Basushiro, afastaram-se para um ponte mais isolado.
— Leia; por favor.
Yoshi leu rapidamente. Apesar de todo o seu controle, a cor se esvaiu do rosto.
— A esquadra seguia para o mar interior, na dkeção de Osaca? Ou ia para o sul, na direção de Iocoama?
— Para o sul ou não, os próximos navios de guerra que passarem por minhas águas serão afundados! Basushiro, mande homens imediatamente para Osaca...
— Espere um instante, Ogama-dono — murmurou Yoshi, querendo tempo para pensar. — Basushiro, qual é a sua sugestão?
O homenzinho respondeu sem hesitar:
— Sire, no momento presumo que o destino é Osaca e que devemos nos preparar, juntos, para defendê-la. Já enviei espiões urgentes para descobrir o curso da esquadra.
— Ótimo. — Com a mão trêmula, Ogama limpou a chuva do rosto. — Toda a esquadra
Basushiro declarou:
— É mais importante que proteja o imperador contra seus inimigos, Sire, e seu comandante agiu certo ao não disparar contra um único navio. Com toda certeza, era um estratagema para verificar sua força. Ele tinha razão ao não revelar suas defesas. Agora que a armadilha está preparada, deseja acioná-la. Como apenas um navio de guerra inimigo voltou para bombardear algumas posições mais fracas e depois partiu às pressas, presumo que o comandante da esquadra estava com medo, não se encontrava preparado para um ataque total ou para desembarcar tropas, iniciando uma guerra que nós terminaremos.
— É verdade. Um estratagema? Concordo. Yoshi-dono — disse Ogama, decidido —, devemos iniciar logo a guerra. Um ataque de surpresa a Iocoama, quer eles desembarquem ou não em Osaca.
Yoshi não pôde responder de imediato, quase tonto com uma súbita apreensão, que tentava ocultar. Oito navios de guerra? Quatro a mais do que haviam partido para a China, o que significava que os
Qual é o alvo mais fácil para eles no Nipão? Iedo.
Ogama compreendeu isso e seu plano secreto é justamente provocar os
Portanto, isso deve ser evitado, a qualquer custo.
Pense! Como conter os
— Concordo com seu sábio conselheiro, devemos nos preparar para defender Osaca — disse Yoshi, o estômago revirado. Depois, sua ansiedade pela segurança de Iedo prevaleceu. — Quer o destino seja Osaca, agora ou mais tarde, o fato é que uma esquadra de guerra voltou. A menos que tenhamos muito cuidado, a guerra será inevitável.
— Já chega de sermos cautelosos. — Ogama inclinou-se para Yoshi. — Eu digo que não importa se eles vão ou não desembarcar suas tropas em Osaca, devemos extirpar a pústula que tanto nos incomoda e exterminar Iocoama. Agora! Se você não quiser fazer isso, sinto muito, eu farei.
LIVRO TRÊS
32
IOCOAMA
Sábado: 29 de novembro:
— Passamos pela esquadra há dois dias, Sr. Malcolm, Jamie — disse o capitão do clíper, em tom jovial, disfarçando seu choque pela mudança em Malcolm, que conhecia desde que nascera, com quem rira e bebera apenas três meses antes, em Hong Kong; ele tinha agora as feições pálidas e encovadas, uma estranha expressão nos olhos, precisava de bengalas para andar ou mesmo ficar de pé. — Estávamos com todas as velas içadas, um vento de popa de força seis, navegando bem depressa, enquanto eles seguiam mais devagar, uma providência sensata, para não perder as barcaças de carvão que rebocavam.