Aumentando seus pesares, o último navio de correspondência só trouxera mais notícias ruins e prognósticos sombrios do Ministério do Exterior, alertando que a falta de apoio financeiro no Parlamento acarretaria grandes cortes no pessoal diplomático e “
As notícias européias também eram ruins:
E assim por diante,
Bombardear Iedo seria a solução mais simples e mais fácil, o que os tornaria submissos num instante. Mas tenho o problema de Ketterer... talvez sua incursão pelos livros de história o tenha mudado. Que esperança...
— Um rublo por seus pensamentos, Sir William — disse o conde Zergeyev, com um sorriso, oferecendo um frasco de prata com o brasão da família gravado em ouro. — Vodca é bom para pensamentos.
— Obrigado.
Sir William tomou um gole, sentiu o fogo descer pela goela, lembrando-o de todos os momentos maravilhosos na embaixada em São Petersburgo, quando ainda se encontrava na casa dos vinte anos, um centro do poder, não um posto de fronteira como Iocoama, bebendo e se divertindo, bailes, balés,
Por cinco de seus sete anos ali, ela fora sua amante, a filha mais nova de um ourives muito apreciado na corte, uma artista como o pai, que nunca se incomodara com a ligação, a mãe russa do próprio William gostando da moça e querendo o casamento dos dois.
— Sinto muito, mamãe, mas não há a menor possibilidade, por mais que eu deseje. O ministério nunca aprovaria. Terei de casar com Daphne, a filha de Sir William. Sinto muito...
Ele tornou a beber, a angústia pela separação ainda persistente.
— Estava pensando em Vertinskya — disse ele, em russo.
— Ah, sim! As moças da Mãe Rússia são muito especiais — comentou Zergeyev, compadecido, na mesma língua. — O amor delas, se um homem recebe essa bênção, é eterno, duas vezes eterno.