Portanto, tudo está resolvido. E Heavenly tem razão mais uma vez: devo ter muito cuidado, não contar a ninguém, nem mesmo a Angel, até pouco antes do momento. Posso confiar nele; jurou segredo, e seus honorários serão pagos ao longo do ano, o que me garantirá sua devoção. Ah, cinco mil! Mas não importa, ele me ofereceu a solução, o problema não mais existe, graças a Deus!

Outra decisão: vou reduzir o medicamento, até mesmo me abster por completo. Tenho um dever com Angel, de ficar bom e forte, sem acessórios. E estar em condições de assumir a Casa Nobre. Com Angel ao meu lado, posso...

Cavalos passando a trote interromperam seu devaneio. Ele acenou para os cavaleiros e viu que se encontrava perto da igreja, o sol brilhando na torre, o cheiro do mar, cavalos, terra e vida em suas narinas. Em súbita gratidão, pensou em entrar para fazer uma oração de agradecimento, quando notou a lancha a vapor da companhia aproximando-se do cais, com Jamie na popa, a cabeça inclinada para um jornal, e isso o lembrou da correspondência. Mudou de direção e alcançou o cais antes de a lancha atracar.

— Jamie! — gritou ele, por cima do barulho do motor.

Acenou, enquanto a lancha encostava nas estacas, cheias de algas e cracas. Viu Jamie contrair os olhos contra o vento, e depois acenar em resposta. Um olhar para seu rosto foi suficiente.

— Vou subir a bordo.

Meio desajeitado, ele passou para o convés, pois era difícil andar numa superfície inclinada com duas bengalas, mas conseguiu chegar à popa e permitiu que Jamie o segurasse pelo braço e o ajudasse a descer os três degraus para a cabine. Era espaçosa e privativa, com bancos em torno de uma mesa, armários por baixo. A correspondência estava sobre a mesa, em maços impecáveis, separada em cartas, jornais, revistas e livros. Malcolm viu no mesmo instante uma carta de sua mãe no alto da pilha que lhe era destinada, sua letra inconfundível. Outra carta dela, para Jamie, já se encontrava aberta na mesa.

— Fico contente em vê-lo, tai-pan.

— O que é agora?

— Tome aqui, leia você mesmo.

Para sua informação, meu filho não pode casar até alcançar a maioridade, em quaisquer circunstâncias. Já comuniquei isso ao reverendo Michaelmas Tweet, a Sir William (por esta remessa de correspondência) e publiquei um aviso na edição de hoje do Oriental Times (anexo). Também avisei aos capitães de todos os nossos navios passando por essas águas e ordenei que espalhassem essa informação, e também notifiquei o almirante Ketterer (por esta correspondência), no caso de ele se sentir tentado por uma cerimônia de capitão. O que meu filho fizer depois de completar vinte e um anos passa a ser problema dele, é claro. Até esse momento, diante de Deus, protegerei seus interesses e os nossos da melhor forma que puder.

O ar foi expelido dos pulmões de Malcolm, o sangue se esvaiu do rosto. Abriu sua própria carta. Era quase que uma cópia da outra, só que pessoal, endereçada a Meu querido filho, e terminava assim:

Isto é realmente para o seu próprio bem, meu filho. Lamento dizer que o sangue da moça é ruim: fomos informados de que as autoridades da Indochina francesa agora perseguem o pai dela, por fraude, e você já sabe que um tio se encontra na prisão dos devedores, em Paris. Se precisa tanto dela, faça com que se torne sua amante, por mais que eu desaprove, mas só vai acarretar mais problemas para si mesmo, tenho certeza. E saiba que jamais vou querer conhecê-la.

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