— A Casa Nobre é a primeira na Ásia, a fonte de lendas, e por isso, quando cheguei a Hong Kong, interessei-me em separar os fatos dos mitos sobre os Struans, os Brocks, os americanos Cooper e seu sócio Wilf Tillman, até mesmo o russo Zergeyev. Eu acho...
Ele parou de falar. Os olhos do jovem haviam se tornado vidrados, perdidos na distância, deixara de escutar, a mente com certeza na solução, à medida que aflorava à superfície, e preenchia seu firmamento.
— Sr. Struan!
— Oh, desculpe... O que estava dizendo?
— Fico satisfeito por lhe oferecer a solução. Há dificuldades, sem dúvida, mas possui navios, dispõe de capitães, e o capitão de um navio britânico, em determinadas situações, pode efetuar um casamento. Como é o
— Heavenly, você é fantástico! — exclamou Malcolm. — Tem certeza sobre minha mãe e meu pai?
— Tenho, sim. Um dos meus informantes foi Morley Skinner, proprietário do
— Não. — Um pouco da esperança de Malcolm se evaporou. — Se essa história fosse verdadeira, todos em Hong Kong a conheceriam.
— Dirk Struan resolveu abafá-la, achando que um “discreto casamento na igreja” era mais conveniente. Era bastante poderoso para conseguir isso e até persuadiu os Brocks a concordarem. Mas a história é verdadeira.
— Mas se ele... — Malcolm fez uma pausa; era um prazer contemplar sua expressão. — Mas não importa se é verdadeira ou falsa, não é mesmo?
— Tem razão. A verdade é muito importante porque lhe proporciona ampla defesa contra sua mãe. Afinal, só está fazendo a mesma coisa que ela, seguindo seu exemplo.
— Por Deus, Heavenly, você tem toda razão outra vez! — E depois, mais excitado: — Dispõe de alguma prova?
Claro, meu tolo rapaz, pensou Skye, mas não vai obter tudo de uma só vez.
— Tenho, sim, em Hong Kong. Precisarei de dinheiro para as despesas, a fim de ir até lá imediatamente... a serem deduzidas dos meus honorários. Digamos cinco mil, incluindo a prova... e sempre desde que minha solução corte o seu nó górdio. Quando você voltar a Hong Kong, depois do casamento, terei todas as provas de que puder precisar.
— E eu pensava que estava perdido!
Malcolm recostou-se na cadeira. Não havia mais nada agora para detê-lo. E aquele fato desanuviava sua mente de muitos demônios, os demônios da noite, do dia e do futuro.
— Que outros “fatos” você conhece a meu respeito e de meu passado?
— Muitos, Sr. Struan — respondeu Skye, sorrindo. — Mas não são para agora, embora preciosos.
Malcolm Struan seguia para casa, mais feliz do que podia se lembrar, as bengalas e a dor não o incomodando tanto quanto de hábito.
E por que não? — ele quase cantou. Casaria na semana seguinte com a moça mais linda do mundo, a mãe envolvida de uma maneira impecável — mal posso esperar para ver sua cara —, tenho uma festa esta noite, que agora será uma autêntica comemoração, e Norbert voltou no momento oportuno para ser enviado ao encontro de seu Criador. — Viva!
Na maior jovialidade, ele cumprimentava e acenava para as pessoas por quem passava. Era popular, além de lastimado, respeitado como o
O sol rompeu pelas nuvens, o que combinava com seu ânimo, fez o mar faiscar, enquanto a esquadra se dispersava na baía, o barco de Sir Wi Hiam aproximando-se da nave capitânia, o navio de correspondência cercado por outras embarcações. Seu próprio navio mercante, Lady Tess, que navegava entre Iocoama, Xangai e Hong Kong, fazia escalas em todos os portos principais até Londres, e depois voltava, estava preparado para zarpar, e deveria partir naquela noite.
Seu capitão era Lavidarc Smith, enorme e ruidoso, há muitos anos na companhia, como a maioria dos nossos capitães, mas jamais gostei muito dele. Preferia que o velho tio Sheley nos casasse e abençoasse. Uma pena que eu não soubesse o que sei agora quando ele passou por aqui. Ora, não importa. De qualquer forma, não posso manter Lavidarc aqui, e amanhã seria impossível, já que preciso primeiro cuidar de Norbert.
E Vincent Strongbow, do