— Não. Por favor. Pergunte agora... eu espero.
E ele tivera de esperar quase duas horas. Enquanto esperava, angustiado, rezara e torcera, morrera, e tornara a morrer. Quando Raiko voltara, ele vira sua expressão determinada, começara a morrer mais uma vez, mas ressuscitara quando ela dissera:
— O nome dela é Hinodeh, que significa alvorecer. Tem vinte e dois anos, diz que sim, mas há condições. Além do dinheiro.
— Tudo o que Hinodeh quiser.
— É melhor escutar primeiro. — Raiko parecia mais sombria do que ele jamais a vira. — Hinodeh diz que será sua consorte, não cortesã, por um ano e um dia. Se nesse último dia ela decidir continuar com você, vai lhe dar seu
— Concordo. Quando começamos?
— Espere,
A mente de André entrara em vertigem, fora de controle.
— Morta?
— Ela disse que prefere a faca, mas não sabia qual seria a escolha de um
Quando conseguira pôr o cérebro para funcionar, André murmurara:
— Eu... eu serei o juiz... se a marca desfiguradora aparecer?
Raiko dera de ombros.
— Em você ou nela, não importa. Se ela resolver pedir, você deve cumprir sua promessa. Tudo ficará por escrito no contrato. Concorda?
Depois de absorver isso, em todo o seu horror, de aceitar, ele indagara:
— Quer dizer que a doença nela ainda se encontra no início, não há marcas?
Os olhos de Raiko se mostraram implacáveis, a voz era gentil, mas inexorável:
— Hinodeh não tem doença,
A cabeça de André parecia prestes a explodir, com o “
— Por quê? Por que ela concorda? Por quê? Ela não sabe que estou doente?
Uma criada, esperando lá fora, na varanda, assustara-se com seu grito e abrira a porta de shoji. Raiko acenara com a mão e a criada, obediente, tornara a fechá-la. Com extrema delicadeza, Raiko tomara um gole de saquê.
— Claro que ela sabe,
Ele removera a saliva dos cantos da boca.
— Então por que... ela concorda?
Outra vez uma expressão estranha.
— Hinodeh não quis me dizer. Sinto muito. É parte do meu acordo com ela. Não devo pressioná-la para saber, o que deve constar do seu acordo com ela. Não podemos pressioná-la. Ela diz que contará tudo no momento que julgar mais conveniente. — Raiko soltara um suspiro profundo. — Sinto muito, mas você deve concordar com isso, como parte do contrato. É essa a condição final.
— Concordo. Por favor, prepare o contrato...
Depois de uma longa agonia — apenas uns poucos dias —, o contrato fora assinado e lacrado, e André se encontrara com Hinodeh, ele impuro, ela pura, em toda a sua glória, e amanhã haveria outro encontro...
André quase deu um pulo quando alguém pôs a mão em seu ombro e descobriu-se de volta à enorme sala do prédio Struan. Era Phillip, que disse:
— Você está bem, André?
— Como? Ah, claro... — O coração de André palpitava, um suor frio deixava toda a sua pele arrepiada, na lembrança do “
No mesmo instante, ele experimentou a sensação de que a sala o pressionava ameaçando sufocá-lo, precisava sair dali, respirar um pouco de ar fresco. Levantou-se, meio trôpego, balbuciando:
— Peça... peça a Henri para tocar... eu... não me sinto bem... tenho de ir embora...
Aturdido, Tyrer observou-o se afastar. Babcott veio da mesa de roleta.
— O que houve com ele? O pobre coitado dá a impressão de que acaba de ver um fantasma.
— Não sei, George. Num momento ele estava bem, no seguinte ficou branco que nem um lençol, o suor escorrendo.
— Foi alguma coisa na conversa?
— Acho que não. Ele apenas me aconselhava sobre o que fazer com Fujiko e Raiko, nada que o envolvesse pessoalmente.
Os dois olharam André se retirar, como se a sala estivesse vazia. Babcott franziu o rosto.
— Uma atitude insólita, pois ele é geralmente afável. — Pobre coitado, deve ser sua aflição... eu bem que gostaria de poder lhe proporcionar uma cura, bem que gostaria que Deus nos oferecesse uma cura.
— Por falar nisso — disse Tyrer —, eu não sabia que você era um dançarino tão hábil.