— Por último, a carta de sua mãe — acrescentou Sir William, mais formal. — Não é política do governo de sua majestade, nem de seus representantes, interferir com a vida particular de seus cidadãos. Mas sua mãe ressalta que você é menor de idade e ela é sua tutora legal. Sou obrigado a não aprovar qualquer casamento sem o consentimento da tutora legal, neste caso das duas partes. Lamento muito, mas é a lei.

— As leis são feitas para serem violadas.

— Algumas leis, Malcolm — disse Sir William, gentilmente. — Não sei qual é o problema entre você e sua mãe, nem desejo saber... ela chamou minha atenção para o aviso no Times, que pode ser interpretado de várias maneiras, nem todas boas. Quando você voltar a Hong Kong, tenho certeza que poderá trazê-la para o seu lado. Além disso, de qualquer forma, você alcançará a maioridade em maio. e não falta muito.

— Errado, Sir William — disse Malcolm, recordando o mesmo conselho de Gordon Chen... um conselho de homens que não sabem o que é o amor, pensou ele, sem rancor, apenas sentindo pena. — Falta um milhão de anos.

— Seja como for. Tenho certeza que tudo acabará dando certo para os dois. Henri também pensa assim.

— Conversou a respeito com ele?

— Em particular, é claro. O cônsul francês em Hong Kong está... hum... a par de Angelique e sua afeição por você, a afeição mútua. Ela é uma pessoa maravilhosa, dará uma esposa maravilhosa, independentemente do problema com seu pai.

Malcolm ficou vermelho.

— Também sabe de tudo a respeito dele?

Os sulcos no rosto de Sir William se tomaram ainda mais profundos.

— As autoridades francesas no Sião estão bastante preocupadas. Como não podia deixar de ser, informaram Henri, que me passou as informações, pedindo ajuda. Lamento, mas é uma questão de interesse oficial. Já deve saber disso. Afinal, qualquer coisa relacionada com a Casa Nobre é uma questão de interesse. — Uma pausa, e ele acrescentou, com alguma tristeza, pois gostava de Malcolm e lamentava o barbarismo na Tokaidô: — O preço da fama, hem?

— Se... se souber de alguma coisa, eu agradeceria se pudesse ouvir primeiro, em particular, o mais depressa possível.

— Está certo, posso mantê-lo informado. Em particular.

Malcolm estendeu a mão para a garrafa de conhaque.

— Tem certeza que não quer?

— Não, não quero. Obrigado.

— Há alguma solução para o meu problema?

— Eu lhe diria se houvesse. — Sir William manteve a voz formal, para encobrir uma súbita irritação. Como se uns poucos meses pudessem fazer alguma diferença, já que a moça não está morta, ao contrário de Vertinskya, e continua a ser maravilhosa. — Seu aniversário é iminente, e Hong Kong fica a apenas oito ou nove dias de viagem. Claro que terei o maior prazer em recebê-lo às onze horas de amanhã, ou em qualquer outra ocasião, mas isso era tudo que eu tinha para falar. Boa noite, Malcolm, e mais uma vez, obrigado pela festa.

Já passava de meia-noite. Malcolm e Angelique beijavam-se ardentemente no corredor, fora de suas suítes adjacentes. O corredor estava escuro, havia apenas umas poucas luzes noturnas. Ela tentava contê-lo, mas também gostava, mais e mais a cada dia, o calor de Malcolm esquentando-a mais do que no dia anterior... e naquela noite a necessidade de ambos era quase irresistível.

Je taime — murmurou Angelique, sincera.

Je t’aime aussi, Angel.

Ela tornou a beijá-lo, depois cambaleou para trás, mais uma vez, quando já se encontrava na beira do abismo, e manteve-o a distância, enquanto recuperava o fôlego.

Je t’aime... foi uma festa adorável.

— Você foi como champanhe.

Ela beijou-o na orelha, seus braços o enlaçaram. Antes da Tokaidô, teria ficado na ponta dos pés. Não notava isso, mas Malcolm sabia.

— Lamento ter de dormirmos separados.

— Eu também, mas não falta muito agora. — Abruptamente, a dor se manifestou, mas ele a suportou por mais um momento. Fitou-a nos olhos. — Só mais um pouco. Durma bem, minha querida.

Os lábios se encontraram, eles murmuraram boa-noite, várias vezes, e depois Angelique se foi. Trancou sua porta. Malcolm pegou as bengalas, claudicou até seus aposentos, feliz e triste, preocupado e sem qualquer preocupação. A noite fora um sucesso. Angelique ficara contente, os convidados haviam se divertido, ele reprimira o desapontamento pelo fracasso de seu plano e confrontara o problema da correspondência, não permitindo que Jamie tomasse a decisão em seu lugar.

E fora a decisão certa, pensou ele, embora Dirk pudesse ter feito melhor. Não importa, nunca poderei ser como ele, Dirk morreu, eu estou vivo, e Heavenly prometeu encontrar uma solução para as cartas dele, dar um novo rumo ao meu destino:

— Deve haver uma solução, tai-pan. Descobrirei alguma coisa antes de partir para Hong Kong, pois precisará daquela prova, independentemente do que venha a acontecer.

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