— Temos um empreendimento comum com a Cooper-Tillman na exploração de quinino, Sr. Gornt, e somos amigos antigos. Quanto ao resto, nada sei a respeito, nem acredito. Verificarei essa história assim que voltar a Hong Kong.

Gornt deu de ombros.

— Anos mais tarde, Cooper admitiu que nunca aprovara Wilf Tillman. Suas palavras exatas foram: “Escute, meu jovem, Wilf mereceu tudo o que recebeu, era um escravocrata e um inútil, nunca se empenhou num único dia de trabalho em toda a sua vida, seu cavalheiro sulista era infame. Dirk teve razão ao dar o pouco quinino de que dispunha a outros, que julgava mais merecedores. Foi meu trabalho, só meu, que fez a companhia que pagou sua mãe, seu padrasto e você por todos aqueles anos...”

O rosto de Gornt se contraiu, mas ele logo recuperou a calma. Exteriormente.

— Ele disse mais algumas coisas... que não são importantes agora. Mas cortar os recursos, nosso dinheiro legítimo, foi muito importante. Foi nessa ocasião que começaram as brigas entre o padrasto e a mãe, e nossa vida se deteriorou. Só muitos anos mais tarde é que descobri que ele casou com a mãe por dinheiro, que seus negócios de algodão e tabaco eram imposturas, não passava de um jogador, não dos mais bem-sucedidos, e que ela sempre o encobriu. A mãe me contou tudo isso quando estava morrendo. Mas ele não era mau comigo, apenas me ignorava, fui ignorado durante toda a minha vida. Agora, chegou o momento da vingança.

— Não vejo por que deve me culpar.

— E não o culpo.

Malcolm não entendeu.

— Pensei que “espadas ou punhais” eram apenas o começo.

— Não foi idéia minha, já falei. E disse ao Sr. Greyforth que não daria certo. Todos rirão dele, se tentar insistir.

Depois de uma pausa, Malcolm comentou:

— Fala como se não gostasse dele.

— Não gosto nem desgosto. Estou aqui para aprender, por um mês, e depois assumir o comando, quando ele se aposentar, no próximo ano. Esse é o plano... Se eu decidir ingressar na Brock.

— Pode assumir o comando mais cedo do que imagina. — A voz de Malcolm endurecera. — Na próxima quinta-feira... eu espero.

— Está mesmo decidido em realizar o duelo?

— Estou.

— Posso perguntar o verdadeiro motivo?

— Ele fez de tudo para me provocar, por orientação dos Brocks, com toda certeza. Será melhor para a Struan se ele for removido.

— Tentará me remover quando eu for contra a Struan?

— Vou me opor a você, competir com você, detê-lo se puder... mas não quereria duelar com você. — Malcolm sorriu, um bom sorriso. — É uma conversa maluca, Sr. Gornt. É um absurdo sermos tão francos e sinceros, mas é o que ocorre. Falou em “vingança”. Está mesmo determinado a se vingar de nós, pelo que meu avô teria feito com Wilf Tillman?

— Estou — respondeu Gornt, sorrindo. — No momento oportuno.

— E Jeff Cooper?

O sorriso desapareceu.

— Também cuidarei dele. No momento oportuno. — E depois, por um momento, a voz de Gornt se tornou impregnada de veneno. — Mas isso não é toda a vingança que procuro. Quero destruir Morgan Brock e, para isso, preciso de sua ajuda...

Ele desatou a rir.

— Desculpe, Sr. Struan, mas se pudesse ver a sua cara...

— Morgan? — balbuciou Malcolm.

— Isso mesmo. Não posso fazê-lo sozinho. Preciso de sua ajuda, o que é irônico, não acha?

Malcolm levantou-se, sacudiu-se todo, como um cachorro, esticou-se, tornou a sentar, o coração disparado. Serviu-se de mais champanhe, derramando um pouco na mesa, tomou um gole enorme. Durante todo o tempo, Gornt o observava e esperava, satisfeito com o efeito de suas palavras. Malcolm levou algum tempo para conseguir falar de novo.

— Morgan? Mas por quê?

— Porque ele seduziu minha mãe quando ela tinha quinze anos, arruinou sua vida e a abandonou. A Bíblia diz que matar seu pai, patricídio, é um ato infame. Minha mãe me fez jurar que eu não faria isso, quando me contou toda a verdade, pouco antes de morrer. Por esse motivo, não vou matá-lo, apenas arruiná-lo. — As palavras soavam incisivas, sem emoção. — E para fazer o que tenho de fazer, preciso da Struan.

Malcolm respirou fundo, tornou a sacudir a cabeça. Nada fazia sentido para ele, embora acreditasse em tudo... até mesmo no comportamento de Dirk Struan. Tenho muito que aprender, pensou ele, enquanto Gornt continuava a falar, explicando que Morgan tinha vinte anos na ocasião, era aprendiz na Rothwell, residia na casa da companhia, por isso era fácil para ele se esgueirar até o quarto de Alexandra.

— O que uma garota de quinze anos podia saber, ainda mais uma clássica Idade sulista, resguardada como uma planta rara? Rothwell despediu-o ao descobrir, mas o velho Tyler Brock riu, comprou em segredo o controle da companhia, e...

Malcolm ficou chocado.

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