Os dois jovens se estudaram. Desde o primeiro instante, ambos haviam experimentado a mesma sensação estranha: uma intensa atração pelo outro. E cada um pensou: É estranho que se possa simpatizar de imediato com algumas pessoas, sem qualquer razão aparente, enquanto se detesta outras, até com uma profunda repulsa, e se ignora muitas. Mesmo assim, ambos tinham certeza que a afinidade inicial, por maior que fosse, não faria a menor diferença. Muito em breve — hoje, amanhã, talvez nos minutos seguintes — alguma coisa faria com que revertessem a normalidade, à confortável hostilidade histórica que unia suas firmas, e se prolongaria pelos tempos afora, descartando aquela primeira afinidade como uma aberração peculiar.
— Em que eu... em que nós podemos servi-lo? — indagou Malcolm.
O sorriso de Gornt era genuíno, os dentes brancos, como os de Malcolm. Ele era da mesma altura, um pouco mais franzino, as roupas menos elegantes, cabelos escuros em contraste com os castanhos-avermelhados de Malcolm, olhos castanhos, não azuis.
— O Sr. Greyforth queria confirmar datas, armas, etc.
Jamie interveio:
— Sabe que tudo isso é contra a lei, Sr. Gornt, e que o duelo foi formalmente proibido por Sir William?
— Sei, sim, Sr. McFay.
Jamie mudou de posição na cadeira, contrafeito, detestando seu envolvimento mais do que nunca, e ainda mais inquieto pelo insólito clima na sala. Não podia entender. Onde deviam prevalecer frieza e hostilidade, parecia mais um momento de expectativa, bastante agradável e predeterminado.
— Isso dito, o que Norbert tem em mente?
— Hoje é terça-feira. Pode ser daqui a uma semana?
— Prefiro na quarta-feira, dia 10 — declarou Malcolm, no mesmo instante
Ele formulara um plano durante a madrugada. Perdera o sono. Lutara contra o dragão que havia no pequeno vidro, e vencera, embora a batalha cobrasse um tributo, e a medida daquela manhã fora um alívio patético.
O
É uma chance difícil, refletiu ele, mas um coração fraco jamais conquistou uma bela dama, e é o melhor que posso fazer.
— Prefiro a quarta-feira.
— Imagino que não haverá qualquer problema, senhor. Quanto ao lugar, sugerimos que seja ao amanhecer, na terra de ninguém, entre a aldeia e a cidade dos bêbados, não no hipódromo, pois se trata de um lugar público demais, com cavaleiros por ali desde o início da manhã.
Malcolm riu, sem saber por quê.
— Uma boa escolha — disse ele, antes que Jamie pudesse responder. Muito melhor para mim, mais isolado, mais perto do mar, será bem mais fácil seguir para o clíper do cais na cidade dos bêbados. — É evidente que já conhece muito de Iocoama, embora esteja aqui há apenas um dia.
— A sugestão foi do Sr. Greyforth, mas verifiquei os dois locais esta manhã. A terra de ninguém é melhor, mais segura.
— Então isso está combinado. Será difícil para mim caminhar dez passos. Sugiro que devemos assumir nossas posições e, à ordem de alguém, a sua, se assim desejar, podemos apontar e atirar.
— Consultarei o Sr. Greyforth.
— Mais alguma coisa?
Gornt hesitou, depois olhou para Jamie.
— Podemos acertar os outros detalhes mais tarde, como devemos chegar, por que caminhos, em que médico podemos confiar, etc. Por último...
— Parece muito bem informado sobre duelos, Sr. Gornt. — murmurou Jamie. Já esteve envolvido em algum?
— Alguns, Sr. McFay. Como participante uma vez; duas como padrinho, quando estudava na Universidade de Richmond. — Outra vez o sorriso, efusivo, entretanto, sincero. — Levamos muito a sério as questões de honra no Sul, senhor.
Com a agradável irrealidade da conversa e sua convicção de que o
— Então deve saber que Norbert estava errado! — exclamou ele, furioso. — Norbert fez tudo o que podia para provocar o
— Jamie! — protestou Malcolm.
Se não fosse pelo que acontecera no dia anterior, ele teria pedido a Jamie que se retirasse. Mas a dívida de ontem era vasta e eterna, por isso Malcolm limitou-se a dizer ao amigo de verdade que era Jamie: