Ela acordou poucos segundos antes de Yoshi. Ele se levantou prontamente, num momento adormecido, no seguinte pronto para iniciar o dia. Koiko estendeu seu yukata acolchoado, depois ajeitou o próprio quimono, foi abrir uma porta de shoji, depois a outra, ajoelhou-se, ajudou-o a calçar as sandálias de palha. O guarda começou a fazer uma reverência, conteve-se a tempo e observou todos ao redor mais uma vez, enquanto Yoshi saía para a área da privada.

Sumomo estava ajoelhada perto da porta, esperando paciente, uma criada ao seu lado, com um braseiro, chá quente, e as bandejas da primeira refeição.

— Bom dia, ama. Faz frio esta manhã. Posso aprontar o chá?

— Pode, sim, por favor, Sumomo, e depressa como um piscar de olhos. Feche a porta, pois o frio é intenso. — Koiko voltou apressada para o seu aposento interno, acrescentando: — Partiremos no meio da manhã, Sumomo. Podemos trocar para as roupas de viagem na ocasião.

— Pois não, ama.

Sumomo ainda se encontrava parada na porta externa, tentando esconder seu choque. Percebera no mesmo instante que seu fardo fora mexido, o nó que prendi o quadrado de seda não era exatamente igual ao que fizera. Seu quimono do dia estava dobrado ao lado, de um jeito impecável, mas também fora mexido.

Mal respirando, ela esperou que a criada se retirasse, depois desdobrou o quimono. Seu coração só recomeçou a bater quando os dedos sentiram os shuriken escondidos no bolso secreto na manga.

Mas espere, pensou ela, o sangue afluindo ao rosto, só porque continuam no lugar, isso não significa que alguém não os descobriu! Não entre em pânico! Pense! Quem revistaria meu fardo aqui, e por quê? Um ladrão? Nunca! Aheh? Um guarda? Koiko? Yoshi? Se fosse um deles, é lógico concluir que eu já estaria morta a esta altura, ou pelo menos amarrada, respondendo a perguntas, e...

— Sumomo, o chá está pronto?

— Já vou levar, ama...

Apressada, e por causa do frio, ela pôs o quimono por cima do yukata de dormir — já fizera a lavagem matutina, escovara os dentes e os cabelos, ainda presos numa trança convencional —, amarrou a obi e repôs a faca na bainha, a mente funcionando em plena velocidade durante todo o tempo: Foi um deles? Talvez a pessoa que revistou minhas coisas não tenha sido muito meticulosa. Poderia não perceber os shuriken, o que seria fácil se não esperasse encontrá-los. Teria sido alguém sem experiência? Koiko? Por que ela revistaria minhas coisas agora? Claro que isso já ocorrera, por outras criadas, quando se apresentara nos aposentos de Koiko... os shuriken estavam em sua pessoa.

Enquanto a mente disparava, ela ajeitou a papa de arroz para mantê-la quente, fez o chá e levou uma taça para o banheiro, onde Koiko terminava de se banhar dos baldes com água quente, fragrante de extrato de flores. A água era entregue ao amanhecer, através de um pequeno alçapão, a fim de que nada se derramasse nos tatames, e os hóspedes não fossem incomodados. Os recipientes noturnos eram removidos da mesma maneira.

— Vou usar meu quimono marrom com a carpa — disse Koiko, tomando um gole do chá, agradecida, o frio enrugando sua pele, por mais que quisesse fingir que o frio não existia — junto com a obi dourada.

Sumomo afastou-se para cumprir a ordem, o coração ainda pesado, pegou as roupas, ajudou Koiko a se vestir.

Depois que a obi foi amarrada, para sua satisfação, Koiko ajoelhou-se sobre um dos futons. Sumomo ajoelhou-se por trás, a fim de escovar seus cabelos lustrosos, que desciam até a cintura.

— Vai muito bem, Sumomo. Está aprendendo. Mas, por favor, faça os movimentos mais longos e mais suaves.

Lá fora, o ritmo do despertar na estalagem aumentava. Criadas, soldados e outras pessoas gritavam. A voz de Abeh, depois a de Yoshi. As duas mulheres prestaram atenção, mas não conseguiram distinguir o que foi dito. As vozes se afastaram.

— Mais vinte escovadelas, depois vou comer e tomar mais um chá. Sente fome?

— Não, ama, obrigada. Já comi.

— Não dormiu bem? — indagou Koiko, notando um certo nervosismo moça.

— Não, dama Koiko. Sinto muito lhe contar meu problema, mas às vezes tenho dificuldade para dormir e tenho pesadelos quando pego no sono — disse Sumomo, ingenuamente, ainda distraída. — O doutor me deu um medicamento para me acalmar. Esqueci de torná-lo ontem à noite, quando mudei de aposento.

— Ah, é isso? — Koiko escondeu seu alívio. — Talvez devesse tomar um pouco agora.

— Pode esperar e...

— Por favor, eu insisto. É importante que você esteja calma.

Obediente e agradecida, Sumomo foi pegar o vidro. Não fora mexido. Ela tomou um gole, tornou a arrolhar. O calor interior começou a se espalhar quase que no mesmo instante.

— Obrigada, ama — murmurou ela, voltando a escovar os cabelos de Koiko.

Depois da papa de arroz quente, picles, enguia assada fria com molho agridoce e bolinhos de arroz, Koiko disse:

— Sente-se, por favor, Sumomo, e sirva-se de chá.

— Obrigada, Ama.

— Lorde Yoshi decidiu que não devo acompanhá-lo mais, e sim segui-lo de palanquim, num ritmo mais moderado.

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