— É onde se encontra o conhecimento dourado, as partes importantes, sinais de perigo, de segurança, do que existe dentro do coração secreto dentro do coração secreto. Lembre-se de que todos nós neste mundo, homens e mulheres, possuímos três corações, um para o mundo inteiro ver, um para a família, e um só para nós. Alguns homens têm seis corações. Yoshi é assim. Ele é seu objetivo, aquele para quem você deve ser o farol.

Ela riu para si mesma, recordando como dissera que lorde Yoshi se encontrava completamente além de seu alcance. Katsumata sorrira, seu sorriso especial, e a exortara a ter paciência.

— Dispõe de bastante tempo. Está com dezoito anos, e não há muito mais que eu possa lhe ensinar. Deve começar a se expandir por si mesma. Como todo estudante devotado, deve seguir a mais importante lei para todos os que aprendem: recompense seu mestre fazendo com que seja seu dever superá-lo! Seja paciente, Koiko. No momento oportuno, sua mama-san e eu providenciaremos para que lorde Yoshi tome conhecimento de sua existência...

E fora o que acontecera. Em um ano. O primeiro convite para ir ao castelo viera seis meses e cinco dias antes. O coração disparado, com medo de fracassar, mas tal não acontecera. Estava preparada, e cumprira seu dever com o mestre.

Mas sou guia para Yoshi? Sei que ele gosta de mim, aprecia minha companhia e minha mente. Para onde devo guiá-lo? Katsumata jamais disse, apenas me falou que se tornaria evidente.

Sonno-joi resume tudo. Envolva lorde Yoshi. Ajude-o a mudar. Pouco a pouco você o ajudará a se deslocar cada vez mais para o nosso lado. Nunca esqueça, ele não é inimigo; ao contrário, é vital para nós, vai chefiar o novo Bakufu, formado por samurais leais, como tairo... não haverá mais qualquer necessidade de um xógum ou do xogunato... apoiado por nosso novo e permanente Conselho dos Samurais...

Eu me pergunto como será a nova era, se viverei para vê-la, pensou Koiko, deitada ali, confortável. Agora... o que fazer com Sumomo?

Fora desnecessário mandá-la para outro aposento... como se importasse a sua presença no cômodo ao lado, já que não escutaria os gritos e movimentos. Mas não fora esse o motivo. Quando Yoshi dissera que ela não o acompanharia pelo resto da viagem, Koiko tivera a impressão de ouvir movimento no cômodo externo, como se Sumomo chegasse mais perto e tentasse ouvir o que diziam, uma espantosa invasão da privacidade, um comportamento inadmissível.

Só uma intrometida impertinente faria tal coisa, pensara ela. Ou uma espia. Ah! Katsumata se empenha com frieza em um de seus intrincados jogos dentro de Jogos, usando-me para infiltrar uma espia, a fim de vigiar Tora-chan e eu? Lidarei Com ela amanhã; até lá, Sumomo pode dormir em outro lugar.

Isso acertado, dizendo a Sumomo apenas que lorde Yoshi preferia ficar sozinho, ela voltara, revistara apressada o fardo da moça, sem saber por que, pois não tinha certeza se houvera mesmo uma tentativa de espioná-los.

Não havia nada de excepcional ali. Umas poucas roupas, um vidro com algum medicamento, mais nada. O quimono para usar durante o dia, dobrado de uma maneira impecável, era comum, não merecia mais que um olhar superficial.

Aliviada, Koiko arrumara tudo como antes. Quanto ao vidro... poderia ser ala veneno?

Antes de voltar para Yoshi, ela decidira se certificar que não era um veneno. Sumomo tomaria um pouco. Nunca era errado tomar as providências devidas contra um perigo em potencial. Yoshi dissera:

— Foi isso que matou Utani. Ele não postou sentinelas como devia.

Sinto muito, mas o que matou Utani foi a notícia do encontro amoroso sussurrada para a minha criada por um samurai da guarda, e que eu lhe permiti que passasse adiante, para Meikin, que a transmitiu a Hiraga. O que Hiraga anda fazendo neste momento? Como um cliente, nas duas vezes em que o foi, quando eu tinha dezesseis anos, Hiraga não foi melhor ou pior do que os outros anônimos, mas como um shishi, o melhor. Curioso...

Yoshi fungou no sono, mas não despertou. A mão de Koiko o tocou por um instante, absorvendo seu calor. Durma, meu querido, você me agrada mais do que ouso dizer a mim mesma, refletiu ela, e depois continuou a pensar sobre o passado.

Curioso que eu me lembre apenas de dois rostos, entre todos os outros: só Katsumata e Hiraga. Curioso que eu tenha sido preparada para ser a dama de lorde Toranaga Yoshi... por algum tempo. Sou mesmo afortunada. Um ano, talvez dois, não mais do que três, e depois me casarei. Tora-chan escolherá o marido para mim. Quem quer que seja, será um samurai. Quantos filhos terei? A velha adivinha disse três filhos e duas filhas, o monge chinês falou em dois filhos e duas filhas.

Koiko sorriu para si mesma. Serei sensata nos cuidados com a casa de meu marido, uma boa mãe para meus filhos, rigorosa com as filhas, que haverão de casar muito bem.

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