Naquela tarde, ela passara pelos portões, e fora direto para a casa da Glicínia. A
— Sinto muito, mas não aceito damas sem documentos nem história — dissera a
— Sinto-me honrada em saber disso, madame, mas tenho uma história, e com sua ajuda posso inventar outra, para satisfazer os mais inquisitivos representantes do
Meikin riu. Os olhos permaneceram sérios.
— Que treinamento você teve, onde? E qual é o seu nome?
— Meu nome é Hinodeh. O onde não tem importância, não é?
Gekko falara sobre as mestras de gueixa, e seu fracasso em corresponder às expectativas. Depois, relatara seu treinamento prático, os tipos de clientes que tivera e quantos.
— Interessante. Mas, sinto muito, não tenho vaga aqui, Hinodeh — dissera a mulher, com extrema gentileza. — Volte amanhã. Farei indagações, talvez alguma amiga possa aceitá-la.
— Por favor, posso pedir que reconsidere? — Claro que no dia seguinte ela também não seria admitida, sob algum pretexto. — Afinal, é a melhor, a mais digna de confiança.
Ela rangera os dentes e acrescentara, a voz suave, torcendo para que a informação fosse correta:
— Até mesmo os
A cor se esvaíra do rosto da
— Você e seu amante fugiram e agora ele a abandonou?
— Não, madame.
— Neste caso, ele morreu.
— Isso mesmo, madame.
— E teve uma criança ou crianças?
— Um filho.
A mulher mais velha suspirou.
— Um filho. Ele está com você?
— Está com a família do pai.
— Qual é a idade dele?
— Um ano e três meses.
Meikin pedirá chá e beberam em silêncio. Gekko tremia por dentro, com medo de ter ido longe demais na ameaça, convencida de que a outra mulher especulava de onde vinha a informação, e como ela, uma estranha — um fato bastante perigoso, por si só —, tomara conhecimento. Ou se ela era uma espiã do xogunato. Se eu fosse uma espiã, raciocinara Gekko, com toda certeza não diria isso, não na primeira entrevista. Ao final, a
— Não poderá ficar aqui, Hinodeh, mas tenho uma irmã que possui uma excelente casa na rua seguinte. Há um preço para a apresentação.
— De antemão, devo lhe agradecer humildemente por ajudar.
— Primeiro, tem de jurar que vai eliminar os maus pensamentos de sua cabeça. Para sempre.
— Por minha vida.
— Pela vida de seu filho é melhor.
— Pela vida de meu filho.
— Segundo, será uma exemplar dama do nosso mundo, calma, obediente, merecedora de confiança.
— Por minha vida e pela vida do meu filho.
— Terceiro... o terceiro pode esperar até sabermos se minha irmã concorda em socorrer a pessoa que vejo diante de mim.
O terceiro era uma questão de dinheiro, a divisão entre as duas
E logo, mais uma vez, ela se tornara popular, mas não bastante popular, o pagamento à cabeleireira tornara-se contínuo, o que também acontecia com a massagista, com a mulher que fazia suas roupas. Nunca restava o suficiente para guardar. A esta altura, o filho era um segredo aberto, pois as duas
Ela aceitara com alegria.
Depois da primeira noite terrível, sentira vontade de acabar com sua vida, o homem era bestial. Por mais que chorasse e suplicasse, Raiko recusara, implacável, pois avisara-a antes que isso não seria possível, pelo menos por um mês. Por sorte, houvera dias para a recuperação e para as duas planejarem uma defesa. E essa defesa conquistara o animal, como ela se referia ao