No ambiente tranqüilo e agradável, Hinodeh agora esperava, os nervos tensos. No momento em que ele bateu no portão da rua, sua
A união com o animal era suportável. Curioso como ele é diferente, pensou Hinodeh, com uma compleição diferente de uma pessoa civilizada, um pouco mais comprido e mais largo, mas sem a firmeza e a força de uma pessoa civilizada.
Muito diferente de Shin, que era doce, suave e forte. Curiosamente, não havia em seu marido qualquer sinal de seu ancestral
Graças a todos os deuses por ele. Por sua causa, meu Shin pôde nascer, e nasceu samurai, assim como nosso filho.
Ela sorriu, feliz. O filho partira há quase três semanas, com dois criados de confiança. Levavam um título financeiro, a ser sacado da Gyokoyama, em nome da mãe de Shin, para quase três anos de casa e comida para o menino, e também para os avós.
Tudo resolvido, pensou ela, orgulhosa. Cumpri meu dever para com nosso filho, Shin-sama. Protegi sua honra. Tudo estava em ordem. Até mesmo a indagação final de Raiko, antes de acertarem a derradeira cláusula do contrato com o animal:
— Por último, Hinodeh, o que devo fazer com o seu corpo?
— Jogue-o na pilha de estrume, pois nada importa, Raiko-san, ele já está profanado. Deixe-o para os cães.
LIVRO QUATRO42
IOCOAMA
Terça-feira, 9 de dezembro:
Na claridade que antecedia o amanhecer, o cúter da Struan afastou-se da fragata
O binóculo do contramestre fixava as janelas do prédio da Struan. Havia uma luz acesa, mas não dava para determinar se Struan se encontrava ali ou não. E foi nesse momento que o motor engasgou, parou, e seus colhões pareceram subir, atingindo-o no queixo. Toda a vibração do barco cessou. Poucos segundos depois, o motor pegou de novo, mas tornou a engasgar, pegou mais uma vez, só que agora fazia um barulho estranho.
— Deus Todo-Poderoso! Roper, desça para ver o que aconteceu! — gritou ele para o mecânico. — E vocês outros, tratem de pegar remos, para o caso de enguiçarmos... McFay vai nos esfolar vivos se pararmos... Roper, qual é o problema, pelo amor de Deus? Diga logo o que aconteceu!
Outra vez ele fixou o binóculo na janela. Nenhum sinal de ninguém. Mas Struan se encontrava ali, seu binóculo focalizando o cúter. Observava-o desde que alcançara a fragata. Ele praguejou, pois agora podia ver o contramestre com toda clareza, e o homem deveria saber que era observado, poderia facilmente transmitir um sinal, sim ou não.
— A culpa não é dele — murmurou Malcolm. — Foi você quem esqueceu de combinar um sinal. Idiota!
Ora, não tinha importância, pois o tempo era bom, não havia qualquer prenúncio de uma tempestade, e uma pequena chuva não afetaria a
A porta por trás dele foi aberta, e Chen entrou, jovial, trazendo uma xícara de chá fumegante.
— Bom dia,
— Quantas vezes tenho de lhe dizer para falar uma língua civilizada e não
Chen manteve o sorriso no rosto, mas soltou um resmungo interior. Esperava que o gracejo arrancasse uma risada de Struan.
— Ah, sinto muito. — Ele acrescentou a tradicional saudação chinesa, o equivalente a “bom dia”. — Já comeu arroz hoje?
— Obrigado.
Pelo binóculo, Malcolm viu um oficial sair do cúter e subir para a nave capitânia. Nada que indicasse qualquer coisa. Droga!
Ele pegou a xícara.
— Obrigado.
No momento, não sentia qualquer dor especial, apenas a dor constante normal, suportável. Já tomara sua dose matutina. Durante a última semana, conseguira reduzir a quantidade. Agora, tomava uma dose pela manhã e outra à noite, mas jurara que, no futuro, tomaria apenas uma por dia, se tudo corresse bem hoje.
O chá estava ótimo, misturado com leite de verdade, engrossado com açúcar, e por ser o primeiro do dia, continha um pouco de rum, uma tradição iniciada por Dirk Struan, como dissera seu pai.
— Chen, pegue meu culote grosso e uma camisa. Vou usar também um casaco.
Chen ficou surpreso.
— Ouvi dizer que a viagem foi cancelada,
— Em nome de todos os deuses, quando ouviu isso?
— Ontem à noite,