A necessidade que ela sentia era muito forte agora. Mas tratou de abrandá-la, conteve o desejo, apegando-se ao plano, ajudando e guiando, e depois veio um ofego estridente, mas ela não titubeou, apertou-o com força agora, reagindo e reagindo, até que ele gritou, todo o corpo de Angelique abalado pelas contorções do orgasmo dele, com gemidos que se prolongaram, intermináveis, e depois seu corpo desamparado, ofegante, a esmagá-la... mas sem sufocá-la.

Como é estranho que eu possa suportar seu peso com tanta facilidade, tudo se ajustando com perfeição, pensou ela, sua boca sussurrando palavras doces e ternas, Calmando os gemidos arfantes, contente porque a primeira união fora consumada de uma forma tão agradável.

Malcolm se encontrava apenas meio consciente, perdido em algum estranho platô, sem peso, vazio, sem nada sentir, ao mesmo tempo saciado de amor por aquela incrível criatura, que era, nua, tudo o que ele imaginara, e muito mais. Seu cheiro, gosto e essência. Cada parte dele satisfeita. Tudo valera a pena. Em euforia. Agora ela é minha, fui homem, ela se mostrou mulher... oh, Deus, espero não tê-la machucado.

— Você está bem, Angel? — murmurou ele, a voz ainda rouca, o coração quase parando, mal conseguindo falar. — Não a machuquei?

— Oh, não, meu querido... eu o amo demais.

— Também amo você, Angel, e não tenho palavras para expressar o quanto.

Ele beijou-a, começou a erguer o corpo, apoiado nos cotovelos.

— Não, não se mexa, ainda não, por favor, eu gostaria que... O que foi querido?

Subitamente nervosa, Angelique contraiu os braços, que o enlaçavam.

— Nada, nada... — balbuciou ele, tentando resistir à dor repentina, que partira da virilha, e se irradiara até a base do crânio, quando se movimentara.

Cauteloso, ele tentou de novo, e desta vez foi melhor. E conseguiu não gemer.

— Não se mexa, Malcolm — disse ela, com toda ternura. — Fique quieto, descanse, mon amour, gosto de você assim... por favor...

Agradecido, ele obedeceu, começando a sussurrar o quanto a amava, confortável, sereno, tão satisfeito que pôde resvalar para o sono, um sono profundo. O sino do navio badalou uma vez, meia-noite e meia, mas ele não se mexeu Angelique continuou deitada da mesma maneira, tranquila, satisfeita, seu futuro conquistado, desfrutando o sossego do camarote, as madeiras rangendo de vez em quando, as ondas batendo contra o casco, saboreando também a sensação de realização.

Sem despertá-lo, ela saiu de baixo de seu corpo, foi ao banheiro, lavou-se. Suspirou, pediu perdão. Um pequeno talho com a ponta de uma faquinha. André dissera:

— É difícil para um homem, quase impossível, determinar se a mulher é virgem ou não na noite de núpcias, se ele não tem motivos para desconfiar. Um pouco de medo, um gemido no momento certo, um pouco de sangue denunciador, o sinal incontestável, e pela manhã tudo estará como deve ser.

Que cínico terrível é André, pensou ela. Que Deus me proteja dele, e me perdoe por meus pecados. Sinto-me contente por estar casada, a caminho de Hong Kong muito em breve, para nunca mais ter de pensar nele, apenas no meu Malcolm...

Angelique voltou ao beliche quase dançando. Tornou a se deitar, segurou a mão de Malcolm, fechou os olhos, imagens gloriosas do futuro aflorando em sua mente. Eu o amo tanto...

Ela despertou subitamente, pensando que experimentara outro terremoto. O camarote se encontrava às escuras, a única claridade era a chama mínima do lampião, balançando um pouco. E depois ela se lembrou de tê-lo diminuído, e compreendeu que o som que a acordara era do sino do navio, e não o da catedral durante o terremoto de seus sonhos. Agora, o terremoto era apenas o balanço do navio, sem nada do pesadelo. E depois, vendo-o estendido ao seu lado, experimentou um amor profundo, diferente de qualquer coisa antes, sabendo que estavam casados, e que isso também não era um sonho.

Quatro badaladas? Duas ou seis horas da manhã? Não, sua tola, não pode ser, pois neste caso haveria claridade além das vigias, e Malcolm dissera que precisava desembarcar antes de poderem levantar âncora, a caminho da civilização, para enfrentar o dragão em seu covil... não, para cumprimentar uma sogra que vou envolver e seduzir, que logo vai me amar, e se tornar a avó perfeita.

Ela observou-o na semi-escuridão. Malcolm dormia de lado, a cabeça aninhada no braço direito, o rosto sem as linhas da preocupação, a respiração suave, o corpo quente, com seu cheiro viril e agradável. Este é meu marido, eu o amo, sou apenas dele, o outro nunca aconteceu. Como sou afortunada!

Sua mão começou a tocá-lo. Ele se mexeu. Também estendeu a mão para ela. Não de todo desperto, ele murmurou:

— Olá, Angel.

Je t’aime.

Je t’aime aussi.

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