— É verdade, mas teria muito peso com Tess Struan... seria um acordo com seu filho. Não serviria para confirmar que você trabalhava com meu marido clandestinamente, para realizar a maior ambição da vida de Tess Struan?

— É bem possível, madame. — Ele hesitou. — Jamie aprova o documento?

— Ele não sabe nada a respeito. Ninguém mais sabe, só eu.

Angelique acreditava nisso. Por que outro motivo Malcolm o esconderia?

Pensativo, Gornt serviu-se de mais champanhe... e notou que ela não bebera mais nada.

— Imagino que um favor assim exigiria outro em retribuição, madame.

— Gostaria que viajasse no Prancing Cloud, a toda velocidade, como planejava, para se encontrar com Tess Struan. E entregasse uma carta minha.

Os olhos de Gornt se arregalaram em incredulidade.

— Isso é tudo?

— Não exatamente. Quando chegar a Hong Kong... o clíper estará lá muito antes do navio de correspondência... deve procurá-la antes que ela tome conhecimento da trágica notícia da morte de meu marido por intermédio de qualquer outra pessoa. É essencial que você a alcance primeiro, diga que traz uma terrível notícia, mas também informações secretas, informações vitais que garantirão a ruína dos Brocks para sempre, que logo os porão para fora dos negócios para sempre. — Angelique respirou fundo. — É o que vai acontecer, não é?

— É, sim — respondeu ele, pois não havia mais necessidade de negar.

— Depois, diga a ela que os Brocks planejaram assassinar Malcolm, usando Norbert Greyforth. Terceiro, que...

— Eles o quê?

— Não é verdade? Isso não era parte do plano de Tyler Brock? Ou de Morgan? Jamie pensa assim... e seria capaz de jurar. O Sr. Skye me falou sobre o duelo, o resto arranquei de Jamie... por que haveria um duelo. Norbert não era apenas um peão para o assassinato?

— É possível — murmurou Gornt, impressionado. — Mais do que isso, bem provável. E depois?

— Depois... — A voz de Angelique tornou-se mais clara, e estranhamente mais incisiva. — Por favor, diga a ela que é por minha causa que está levando informações para destruírem os Brocks... deve realçar isso.

— Por sua causa?

— Por minha causa. Enfatize isso. É importante para mim, não e pedir demais, e você conseguirá o que quer, de qualquer maneira.

— Tem certeza?

— Tenho. Diga a ela que ia esquecer esse contrato escrito com seu filho achando que não tinha mais valor. Mas como eu pedi, até suplique que a procurasse, no lugar do filho, você decidiu seguir o mais depressa possível para Hong Kong. — Angelique inclinou-se para a frente. — As informações exigem urna ação rápida, não é mesmo?

— É, sim.

— Pois enfatize isso. Mas, acima de tudo, ressalte que fui eu quem o persuadiu a ir procurá-la, que minhas súplicas o convenceram a lhe entregar as informações para destruir os inimigos de Malcolm e dela... que eu lhe assegurei que ela cumpriria o contrato, ou lhe ofereceria outro equivalente. E é o que Tess Struan fará, posso garantir.

— Com sua assinatura?

— É a primeira coisa que ela vai notar, por isso deve mencioná-la antes. Diga que Malcolm me pediu para ser testemunha de sua assinatura, dizendo apenas que era um contrato de negócios entre vocês dois, e que eu assinei na sua presença, sem pensar... na segunda-feira, antes da festa. Por último, diga que tem uma carta urgente minha e entregue-a. — Angelique levantou seu copo. — Se ela ler na sua frente... o que não deve acontecer... mas se ela ler, eu gostaria de saber sua reação.

Angelique tomou agora um segundo gole de champanhe, recostou-se, esperando, os olhos fixados nos dele. Seu rosto nada deixava transparecer.

— O que tem na carta?

— Poderá ler, se assim desejar, antes de eu lacrá-la. — Uma pausa, e ela acrescentou, o tom suave, sem maldade: — Vai lhe poupar o trabalho de abri-la.

A mente de Gornt ponderava sobre o enigma que era aquela mulher à sua frente.

— E a notícia da morte de Malcolm... do casamento e morte... como devo transmitir isso e o resto?

— Não sei, Edward. Você saberá como fazê-lo.

Ele soltou um grunhido, atônito com a desfaçatez, não, não desfaçatez, era mais astúcia. Não restava dúvida de que o objeti vo de Angelique era se insinuar no favor de Tess, superando a hostilidade atual, e prevenindo qualquer ação judicial, cível ou criminal, que uma mãe como Tess Struan, dilacerada pela agonia de sua perda, poderia desencadear contra ela... e as apostas no momento eram de cinco contra um como Tess o faria, e de dois contra um como ganharia.

Mas isso não importava, pois aquela estratégia poderia levar Angelique ao círculo dos vencedores... poderia. Com cuidado, não de todo como Angelique sugeria, mas com muito mais sutileza, ele poderia fazer o que ela propunha sem prejudicar sua própria posição, e fecharia o acordo com Tess Struan, que com certeza lhe daria tudo o que queria... depois que o choque pela morte do filho diminuísse e pudesse avaliar a enormidade do que era oferecido.

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