A esta altura já tomou conhecimento da terrível notícia sobre Malcolm... lamento não poder lhe contar pessoalmente, mas fui aconselhada pelo Dr. Hoag a não viajar no Prancing Cloud, nem no navio de correspondência.

Não tenho palavras para lhe descrever como me sinto transtornada. Deixe-me dizer apenas que eu o amava, com toda a força do meu coração, e tentei fazer o melhor que podia, enquanto ele era vivo, e também depois de sua morte, tentando desesperadamente sepultá-lo como desejava, no mar, assim como seu adorado avô. Mas isso me foi proibido. Por favor, eu lhe suplico, por favor, faça por ele o que eu não consegui fazer.

Mas não lhe falhei num outro dever. O portador desta carta era amigo de seu filho. Leva informações da maior importância... que ele prometera transmitir a Malcolm, no dia de sua morte. O próprio Malcolm tencionava partir às pressas no Prancing Cloud, para lhe contar: os meios para destruir seus eternos inimigos, Tyler e Morgan Brock. O Sr. Gornt me jurou que lhe revelará tudo, até os últimos detalhes. Eu lhe suplico que aja de acordo, se for verdade o que ele alega. A conclusão vitoriosa dessa rivalidade, com a eliminação dessa agonia de sua cabeça, como sei muito bem, é todo o epitáfio que Malcolm desejaria.

Ela datara e assinara, Angelique Struan, Iocoama. Havia um P.S.: Estranho, não é, que tenhamos tanta coisa em comum — também odeio meu pai, ele também tentou me destruir — e estejamos tão apartadas, desnecessariamente.

Edward Gornt lacrou o envelope, pensativo. Guardou-o no bolso, levantou seu copo.

— Uma vida longa... e quero dizer que é uma mulher extraordinária, mas muito extraordinária.

— Como assim?

— Não pede nada, dá tudo — comentou ele, com genuína admiração.

Mas não acrescentou: E não menciona os trinta dias, o prazo em que as duas, como mulheres, pensarão acima de tudo... pois se estiver esperando uma criança de Malcolm, o império Struan se tornará em grande parte seu, quer seja menino ou menina, embora um filho seria perfeito! E mesmo que não esteja esperando uma criança, uma reivindicação imodesta à fortuna dos Struans também seria procedente e incontestável. Seja como for, você ainda vai casar comigo!

— É uma grande mulher — acrescentou ele, calmamente. — Espero que me permita partilhar uma amizade eterna.

Ele se levantou, beijou a mão de Angelique, num gesto galante, que não se prolongou além do necessário.

Sozinha outra vez, Angelique balançou a cabeça para si mesma, contente, depois serviu vinho no copo de Gornt... havia outros copos ao seu fácil alcance mas ela escolheu o dele de propósito, tomou um gole, com um prazer adicional. Ergueu o copo na direção do mar e murmurou:

— Vá com Deus, Prancing Cloud.

Outro gole. E ela sorriu.

— Phillip!

— Pois não, Sir William?

— Leve isto. Já aprontou o resto dos nossos despachos?

— Já, sim, senhor. Tirei cópias extras das duas audiências, dos atestados de óbito etcetera. Pegarei no cofre o seu “particular e confidencial” para o governador, e isso é tudo. Será melhor eu levá-los pessoalmente para o Cloud.

— Tem razão, é o mais sensato. Tenho mais uma carta. Dê-me alguns minutos.

Cansado de tanto escrever e da tensão dos últimos dias, consciente do perigo a que Iocoama se achava exposta, Sir William ignorou a dor de cabeça, pensou por um momento, certificou-se de que a pena estava limpa, escolheu o papel com o cabeçalho mais oficial, e escreveu:

Prezada Sra. Struan:

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