— O que querer, tai-tai miss, miss tai-tai!

Isso a fez rir, e ela sentiu-se melhor.

Miss tai-tai, tai-tai miss, tudo mesma coisa. Que comida? Sua comida, comida chinesa — disse Angelique subitamente, sem saber por quê. — Mesmo que você, Chen. Comida da China, comida número um. A melhor, hem?

Chen ficou aturdido. Aquilo era bastante inesperado. No passado, ela apenas comia os patos que o amo apreciava, para agradá-lo, e preferia os pratos europeus, carnes, batatas, tortas, pão, os alimentos que ele e todos os chineses consideravam apropriados apenas para animais.

— Comida do amo, hem? — disse ele, especulativo.

— Comida do tai-pan para tai-tai do amo!

Autoritária, imitando Malcolm, ela acenou para que Chen se retirasse e virou as costas. Inquieto, Chen saiu, murmurando:

— Mesma coisa tai-pan, miss tai-tai.

Devo desenvolver o gosto pela comida chinesa, compreendê-la melhor, pensou Angelique, absorvendo uma nova idéia. Caso eu fique parte do ano. Jamie disse que gosta da comida chinesa de vez em quando, Phillip é entusiasmado, e Edward sempre a come...

Ah, Edward, Edward de tantas caras, de tantas possibilidades. Não tenho certeza a seu respeito. Se...

Se eu gerar um filho, ficarei feliz por ter uma parte de Malcolm para sempre. Voltarei a Paris, pois até lá já terei muito dinheiro, mas muito mesmo. Tess Struan se sentirá contente por nos ver partir, e nosso filho será criado em parte como francês, em parte como britânico, e será digno de seu pai. Se for uma filha, eu partirei também, com menos, mas será mais do que suficiente. Até encontrar um título que valha a pena, um homem que valha a pena.

Se não tiver sorte, e não houver nenhuma criança dentro de mim, então posso considerar Edward, ao mesmo tempo em que negocio com aquela mulher por minha migalha de viúva, tudo isso dependendo de Heavenly Skye estar enganado.

Enganado sobre o quão vingativa e implacável é aquela mulher.

49

Sábado, 13 de dezembro:

No dia seguinte o mar continuava do mesma cinza, o céu também, mas a tempestade já passara. A chuva cessara. Angelique, Skye e Hoag esperavam na cabine do cúter, ainda atracado no cais da Struan, e há muito atrasado na partida para Kanagawa. Além da baía, podiam avistar as ondas com as cristas brancas. A semi-escuridão, agravada pelo vento forte e úmido, tornava a espera mais difícil. Jamie e o reverendo Tweet já deviam ter chegado há meia hora.

— Eu gostaria que eles se apressassem — murmurou Angelique, o nervosismo começando a abalar sua determinação. — O que os está retardando?

— Não teremos de ir muito longe, assim não deverá haver problemas — comentou Skye, inquieto.

O cúter balançava gentilmente. Os homens usavam cartola, suéter e sobrecasaca, Angelique o seu traje de montaria verde-escuro e botas, o mais apropriado para uma viagem de barco.

Por cima da cabine ficava a pequena e envidraçada casa do leme. O contramestre apoiava-se no peitoril de uma das janelas abertas, fumando um cachimbo, um homem com bastante experiência no mar para não fazer perguntas. Jamie McFay limitara-se a lhe dizer:

— Quero o cúter no cais bem cedo, com uma carga completa de carvão, apenas você e um foguista de confiança.

Era o suficiente para ele. O resto saberia em breve, por que pessoas sensatas queriam sair ao mar num dia como aquele, quando os marujos sensatos preferiam ficar em terra.

— Lá está ele! — gritou Skye, soltando uma imprecação, sem perceber que o fazia.

Jamie estava sozinho, aproximava-se apressado pela High Street. Os transeuntes o cumprimentavam, franziam o rosto, seguiam adiante. Ele entrou no cúter. Fechou a porta da cabine.

— Tweet mudou de idéia — anunciou ele, o peito arfando.

— Mas que desgraçado! Ele não havia concordado?

Skye estava revoltado. Junto com Jamie, haviam concluído que a melhor história a contar era a de que um pescador cristão morrera em Kanagawa, depois de pedir para ser sepultado no mar, numa cerimônia que ele oficiaria. O resto poderia ser revelado mais tarde. E haveria uma contribuição por seus transtornos.

— Ele disse que não com este tempo — explicou Jamie, ofegante da pressa e frustração. — Tentei por todos os meios convencê-lo, mas ele se manteve intransigente: “O sujeito está morto, amanhã ou depois não será problema para ele, faz um tempo horrível, provavelmente não conseguiríamos voltar antes do escurecer... e eu tinha esquecido o jantar de Lunkchurch. Amanhã, depois do serviço, ou ainda melhor, na segunda-feira.” Que desgraçado!

Jamie respirou fundo outra vez.

— E nós já tínhamos combinado tudo! Angelique sentiu uma vertigem de desapontamento.

— Padre Leo! Vou pedir a ele. Tenho certeza que me atenderá.

— Não há tempo, Angelique, não agora. Além do mais, Malcolm não era católico, não seria apropriado.

— Maldito Tweet! — disse Hoag, furioso. — Teremos de adiar. O mar está perigoso, talvez seja melhor assim. Não podemos tentar amanhã?

Todos olharam para Angelique. Jamie disse:

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