— Meu superior dizer esperar alguém possa dar conselho correto a
Ele balançara a cabeça, como se estivesse muito preocupado. Levantara-se abruptamente, provocando mais consternação... não havia sentido em continuar a conversar com aqueles subalternos, que podiam ser valiosos sob outros aspectos, mas era o líder
— Misamoto, diga a eles que podemos nos reunir de novo daqui a dez dias, em Iedo. Eles podem ir a Iedo para uma reunião particular.
No momento em que ele deixava o navio de guerra, o
— Meu superior deseja você bom ano-novo.
Aturdido, ele soubera que o mundo
— O primeiro dia de nosso ano,
Voltando para Iedo, na galé, Yoshi especulara sobre aqueles homens. De um modo geral, sentira-se consternado — os
Mas, para que possamos sobreviver como nação, o Nipão precisa ter navios maiores e canhões, mais poder, para nos protegermos desses demônios estrangeiros. E pelo menos por enquanto, concluíra ele, sentindo-se nauseado, o xogunato deve fazer um acordo com eles.
Nunca irão embora, não todos eles, por sua livre e espontânea vontade. Se não forem estes, outros virão para roubar nossa herança, chineses ou mongóis, ou os peludos das terras geladas da Sibéria, que nos contemplam como cães babando de portos roubados da China. E sempre os
Isso acontecera no dia anterior. Ontem à noite e naquela madrugada ele estivera absorto em pensamento, quase sem comer, quase sem dormir, consciente também do vazio de sua cama e do vazio de sua vida, as juntas do compartimento de Koiko vazando, assim como as de Anjo, de Ogama e dos outros. Muitas vezes, durante a viagem desde Quioto, pensara na espada limpa, na pureza e paz da morte, o minuto, a hora e o dia escolhidos com um poder divino, pois escolher o momento da própria morte o transformava num deus: do nada ao nada. Não mais o pesar para dilacerá-lo em pétalas de dor.
Muito fácil.
O primeiro raio de sol do amanhecer passou pela janela, refletindo-se em sua espada curta. Estava ao lado da cama, junto com a espada longa, as duas ao fácil alcance de suas mãos, o fuzil ali também, carregado, o que ele chamara de Nori. A espada curta era uma herança de família, feita pelo mestre ferreiro Masumara, outrora possuída pelo xógum Toranaga. Ele olhou para a bainha velha e gasta, e através dela, em sua mente, contemplou a perfeição da lâmina. Estendeu a mão, acariciando o couro, depois subiu pelo cabo, foi pousá-la na pequena tranqueta presa ali. O pai instruíra seu ferreiro a prendê-la ali, antes de presenteá-lo com a espada, formalmente, na presença de seu círculo interno de servidores. Yoshi tinha quinze anos na ocasião e já matara seu primeiro homem, um ronin, que tivera um acesso de loucura perto do castelo de sua família, o Ninho da Águia.
— Isto é para lembrá-lo de seu juramento, meu filho: que empunhará esta lâmina com honra, que para cometer
Uma sentença terrível, refletiu Yoshi, e tornou a se estender na cama, a salvo no momento, naquele quarto no alto de seus aposentos no castelo, onde experimentara tanto prazer. Os olhos retornaram à espada curta. Sua necessidade hoje era intensa. Em sua imaginação, ensaiara o ato tantas vezes que seria suave, gentil e libertador. Muito em breve Anjo enviará homens para me prenderem, e essa será minha desculpa...
Seus ouvidos aguçados ouviram passos. Pés marchando. As mãos pegaram a espada curta e a espada longa, ele assumiu a posição de ataque-defesa.
— Sire?
Yoshi reconheceu a voz de Abeh. Isso não significava segurança, pois Abeh podia ter uma faca na garganta ou ser um traidor... depois de Koiko, todos eram suspeitos.
— O que é?
— O homem Inejin pede para vê-lo.
— Revistou-o?
— Revistei-o.