Yoshi usou a corda que prendera, permitindo-lhe puxar a tranca da porta sem se levantar. Inejin, Abeh e quatro samurais esperavam ali. Ele relaxou.

— Entre, Inejin.

Abeh e os outros de sua guarda pessoal fizeram menção de segui-lo e Yoshi acrescentou:

— Não há necessidade, mas fiquem ao alcance de serem chamados. Inejin fechou a porta, notou a corda para puxar a tranca, mas não fez qualquer comentário, e ajoelhou-se a dez passos de distância.

— Descobriu Katsumata?

— Ele estará em Iedo dentro de três dias, Sire. E irá direto para a casa da Glicínia.

— Aquele covil de escorpiões? — Yoshi não fechara a armadilha contra a mama-san Meikin, pois queria descobrir a verdadeira extensão da conspiração contra ele antes de se vingar... a vingança era melhor quando saboreada calmamente. — Podemos capturá-lo vivo?

Inejin exibiu um estranho sorriso.

— Duvido muito, mas posso lhe contar a história à minha maneira, Sire? — Ele ajeitou o joelho dolorido de forma mais confortável. — Primeiro, sobre os gai-jin: um fato esperado e encorajado desde o início aconteceu. Um espião gai-jin ofereceu os planos de batalha por dinheiro

O interesse de Yoshi foi imediato.

— Não são falsos?

— Não sei, Sire, mas foi sussurrado que continham movimentos de tropas e navios. O preço era modesto e mesmo assim o representante do Bakufu não comprou de imediato, começou a regatear, e a pessoa que estava vendendo se assustou. Com Anjo no comando... — Os lábios rachados se contraíram em repulsa ao nome. — Ele é baka, indigno! Se a cabeça é podre, o corpo é pior.

— Concordo. Uma estupidez.

Inejin acenou com a cabeça.

— Eles esquecem Sun-tzu outra vez, Sire: Permanecer na ignorância da disposição do inimigo, regateando o desembolso de algumas centenas de moedas de prata, é o cúmulo da inumanidade. Por sorte, um informante me comunicou a respeito.

Inejin tirou um pergaminho da manga, largou em cima da mesa Yoshi suspirou, satisfeito.

So Ka!

— Com a ajuda do meu informante, comprei para lhe dar, Sire, um presente. E também, para grande risco de meu informante, substituí por um pergaminho falso que o Bakufu acabará comprando por uma ninharia.

Yoshi não tocou no pergaminho, apenas contemplou-o em expectativa.

— Por favor, permita que eu o reembolse.

Inejin procurou encobrir seu vasto alívio, pois tivera de penhorar sua estalagem para a Gyokoyama, a fim de obter o dinheiro.

— Procure meu caixa ainda hoje. As informações merecem confiança? Inejin deu de ombros. Ambos conheciam os preceitos de Sun-tzu: Um espião interno é o mais perigoso, aquele que vende segredos por dinheiro. É preciso um homem de gênio para avaliá-los.

— Meu informante jura que as informações merecem confiança, assim como o espião.

— E o que dizem?

— O plano dos gai-jin é assustadoramente simples. No dia da batalha, dez dias depois de apresentado seu ultimato... e se não for atendido... toda a esquadra se desloca contra Iedo. No primeiro dia, a área de ataque é mais distante da costa, Sire, o alcance máximo de seus canhões mais pesados, visando a destruir todas as pontes e estradas que saem de Iedo... que já foram localizadas, mais informações fornecidas a eles, com toda certeza, pelo traidor Hiraga. Nessa mesma noite, à luz dos incêndios que eles provocaram, o castelo é bombardeado. No dia seguinte, as áreas costeiras são dizimadas. No terceiro dia, eles desembarcarão mil soldados armados com rifles, que avançarão para os portões do castelo. Ali, montam um sítio com morteiros, destróem os portões e as pontes, e a maior parte do castelo que for possível. No quinto dia, eles se retiram para seus navios e vão embora.

— De volta a Iocoama?

— Não, Sire. O plano diz que evacuarão todos os gai-jin na véspera do dia da batalha e se retirarão para Hong Kong até a primavera. E depois voltarão com toda força. O custo da guerra... como aconteceu com as guerras chinesas, e é o costume deles... será dobrado, e exigirá reparações do xogunato e do imperador, assim como um acesso pleno a todo o Nipão, inclusive Quioto, e uma ilha cedida em caráter perpétuo, para cessar as hostilidades.

Yoshi sentiu um calafrio. Se aqueles bárbaros haviam conseguido humilhar toda a China, mãe do mundo, acabarão nos humilhando também, até a nós. Pleno acesso?

— Esse ultimato... o que é essa impertinência adicional?

— Não consta do pergaminho, Sire, mas o espião prometeu detalhes, assim como a data da batalha, e qualquer mudança.

— Qualquer que seja o custo, compre essas informações... se forem verdadeiras, podem fazer uma diferença no resultado.

— É bem possível, Sire. Parte das informações é sobre as contramedidas dos gai-jin. Contra nossos brulotes.

— Mas Anjo me disse que são secretos!

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