McFay sentia-se muito bem hoje. Na última correspondência, uma declaração de seus banqueiros em Edimburgo levara-o a descobrir que se encontrava em melhor situação do que imaginara, tinha mais do que suficiente para começar por conta própria, em pequena escala. A Casa Nobre estava em boas mãos e isso o agradava. O novo gerente da Struan, Albert MacStruan, chegara de Xangai. Ele o conhecera em Hong Kong, três anos antes, quando MacStruan ingressara na companhia. Depois de seis meses de treinamento em Hong Kong, sob o comando de Culum Struan, ele fora para Xangai, onde logo se tornara o vice-diretor.

— Seja bem-vindo a Iocoama — dissera Jamie, com sinceridade. Gostava dele, embora soubesse muito pouco a seu respeito, exceto que era competente no que fazia, e seu ramo do clã era Highlander, uma linhagem de sangue escocês e espanhol, de um dos milhares de espanhóis da Invencível Armada que haviam naufragado ao largo da Escócia e Irlanda, e sobreviveram, mas nunca retornaram a seu país.

Aqui ele seria considerado eurasiano, embora ninguém o afrontasse. Circulavam rumores de que era outro dos filhos clandestinos e ilegítimos de Dirk Struan enviado secretamente para a Escócia pelo pai, com um meio-irmão, Frederick MacStruan, ambos recebendo vultosos legados, pouco antes da morte de Dirk.

— Lamento muito revê-lo nestas circunstâncias terríveis, meu caro.

O sotaque de MacStruan era aristocrático, Eton e Universidade de Oxford, com um vestígio de escocês. Tinha vinte e seis anos, moreno, atarracado, pele dourada, malares salientes, olhos escuros. Jamie nunca o interrogara sobre o mito, nem MacStruan tomara a iniciativa de revelar qualquer coisa. Quando Jamie chegara a Hong Kong, quase vinte anos antes, fora advertido por Culum Struan, então o tai-pan, que ali não se faziam perguntas, em particular sobre os Struan.

— Temos muitos segredos, muitos atos tenebrosos que preferimos esconder. Ao receber o novo gerente da Struan em Iocoama, Jamie respondera:

— Está tudo em ordem, e não precisa se preocupar comigo, Sr. MacStruan. Sinto-me ansioso por uma mudança.

E embora não mais pertencesse formalmente à Casa Nobre, ainda o ajudava, pondo-o a par das operações e projetos, e apresentando-o, junto com Vargas, aos fornecedores japoneses. Os livros se encontravam em boa ordem, o negócio de carvão com Johnny Cornishman começara sem problemas, e deveria se tornar bastante lucrativo, carvão da melhor qualidade, com o acerto adicional de encher uma barcaça por semana, durante os três meses subseqüentes, como um período de experiência.

Generoso, MacStruan lhe concedera uma participação de vinte por cento dos lucros no primeiro ano e também aprovara o acordo que ele fizera com Cornishman.

— ...caso o patife ainda esteja vivo — comentara ele, com uma risada. Graças a Hiraga, as negociações secretas de Jamie com o shoya haviam desabrochado e fora formada, em princípio, a primeira companhia: I.S.K. Trading — Ichi Stoku Kompeni —, a esposa do shoya considerando que era mais prudente não usar seu próprio nome. A participação fora dividida em cem partes: o shoya tinha quarenta, McFay tinha quarenta, a esposa de Ryoshi quinze, e Nakama — Hiraga — cinco.

Na semana passada ele registrará sua própria companhia, amanhã abriria para negócios em escritório temporário no mesmo prédio que alojava o Guardian, de Nettlesmith. Há uma semana agora, o filho mais velho de Ryoshi, tímido, nervoso, com dezenove anos, apresentava-se para o trabalho às sete horas da manhã, todos os dias, e saía às nove horas da noite, ansioso em aprender tudo. O inglês em particular. E na última correspondência chegara um inesperado pagamento final de três meses, com um bilhete polido de Tess Struan, agradecendo nelos serviços prestados. Três meses não é tão ruim assim por dezenove anos, pensara ele, divertido.

Ainda não chegara notícias de Hong Kong, era cedo demais, embora o Prancing Cloud já devesse ter atracado ali há dez dias, ou mais, Hoag cerca de uma semana. Mais quatro ou cinco dias, no mínimo, para se ouvir qualquer coisa, talvez mais, e uma tremenda tempestade que se dizia estar acontecendo nos mares do sul da China podia atrasar ainda mais. Não adiantava tentar prever datas e tempo.

Um dia teremos telegrafia para Hong Kong e um dia, talvez, o fio se estenda até Londres. Por Deus, que vantagem para todo mundo poder enviar uma mensagem para Hong Kong e receber a resposta em poucos dias — e até Londres e de volta... em quanto tempo?... digamos doze a dezesseis dias —, em vez de quatro meses! Não será no meu tempo, mas aposto que a telegrafia chega a Hong Kong em mais dez ou quinze anos. Um hurra para Nakama e meu sócio Ryoshi, um hurra para minha nova companhia, a McFay Trading. E um hurra para Angelique.

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