O exame físico só levara cerca de uma hora, a sondagem verbal se prolongara por várias horas. Aos quarenta e seis anos, Anjo se encontrava em péssimas condições. Dentes podres, que com certeza provocariam uma septicemia, mais cedo ou mais tarde. Reações negativas à pressão no estômago e outros órgãos, óbvias constrições interiores, próstata muito inchada.
O maior problema do diagnóstico era decorrente da falta de fluência sua e de Phillip, pois o homem se mostrara impaciente, ainda não confiava nele e não queria falar sobre os sintomas. Fora preciso um interrogatório diligente para que ele pudesse determinar as prováveis dificuldades experimentadas pelo paciente nos movimentos intestinais, passagem da urina e incapacidade de manter ereções — o que parecia preocupá-lo acima de qualquer outra coisa — embora Anjo tivesse dado de ombros e não admitisse expressamente nenhum desses sintomas.
— Phillip, diga a lorde Yoshi que acho que o
A dor de cabeça de Tyrer voltara, agravada por sua ansiedade em realizar um bom trabalho.
— Ele viver mais ou menos mesma coisa um homem mesma idade. Yoshi pensou a respeito, compreendendo as dificuldades de sondar questões delicadas numa língua estrangeira, com uma interpretação inadequada. Por isso, devia manter as perguntas bem simples.
— Pergunte: dois anos, três anos, um ano? Ele observava Babcott atentamente, não Tyrer.
— Difícil dizer, lorde. Em uma semana talvez saber melhor.
— Mas agora? A verdade. Um, dois ou três, o que acha?
Babcott compreendera, antes de deixar Kanagawa, que sua função ali não era apenas como médico. Sir William dissera:
— Falando francamente, meu caro, se o paciente for mesmo Anjo, você também é um importante representante do governo de sua majestade, meu, da colônia, e ainda um espião... portanto, George, por favor, não desperdice essa oportunidade de ouro...
Por si mesmo, ele era primeiro e acima de tudo um médico. Com o sigilo médico-paciente. Não restava a menor dúvida de que Yoshi era inimigo do paciente, um poderoso inimigo, mas também, em potencial, um poderoso amigo do governo de sua majestade. Pondo os dois na balança, Yoshi era mais importante, a longo prazo. Anjo emitira o ultimato para evacuar Iocoama, era o chefe do
— Um, dois ou três, Yoshi-sama? Verdade, sinto muito, não saber agora.
— Poderia ser mais?
— Sinto muito, não possível dizer agora.
— Poderá dizer na próxima semana?
— Talvez poder dizer próxima semana não mais três anos.
— Talvez saiba mais do que diz, agora ou na próxima semana.
Babcott sorriu com a boca apenas.
— Phillip, diga a ele, polidamente, que estou aqui a seu convite, um hóspede. Como médico, não mágico, e não preciso voltar na próxima semana, nem em qualquer outra.
— Mas que droga, George! — murmurou Tyrer. — Não queremos encrenca.
Não sei como traduzir esse “mágico” e não tenho como explicar tais nuanças Pelo amor de Deus, encontre uma resposta mais simples.
— O que você disse, Taira? — indagou Yoshi, ríspido.
— Oh, Sire... difícil traduzir palavras altos líderes quando... quando ter muitos significados, e não saber menor palavra... melhor palavra, por favor, desculpar
— Deveria estudar mais — disse Yoshi, irritado por não estar com seu próprio intérprete. — Faz um bom trabalho, mas não o suficiente, deve estar mais É importante que saiba mais. Agora, o que ele disse, exatamente?
Tyrer respirou fundo, suando.
— Ele dizer ser doutor, não como deus, Yoshi-sama, não saber exato sobre tairo. Ele... ele aqui convite Yoshi. Sinto muito, se não quiser vir Iedo, doutor-sama não vir Iedo.
Ele morreu um pouco, ao ver Yoshi sorrir da mesma maneira insincera de Babcott. Não havia como se enganar quanto ao significado daquele sorriso; Tyrer amaldiçoou o dia em que decidira se tornar um intérprete.
— Sinto muito.
—
Sombrio, Yoshi avaliou seu movimento seguinte. O doutor provara ser útil, embora estivesse lhe escondendo fatos. Se assim fosse, podia deduzir que os fatos concretos eram ruins, não bons. E esse pensamento agradou-o. Um segundo pensamento também o agradou. Baseava-se numa idéia sugerida por Misamoto, sem saber, meses atrás. Yoshi no mesmo instante iniciara a prática, através do seu chefe de espionagem, Inejin, para uso futuro: um meio de controlar os bárbaros era através de suas prostitutas.