– Sem dúvida! Fortalece o ímpeto amoroso, além de aproveitar ao coração, cérebro e estômago.

– Ímpeto e vontade tínhamos sobejos, elas é que não estavam ao alcance das nossas bolsas! – suspira Fernão, aproveitando a pausa em que os convivas limpavam os olhos e rostos das lágrimas causadas pelo riso. – Só tivemos aquele bom recebimento porque a alcoviteira e o capado se deixaram enganar pelas farpelas novas oferecidas pelo nosso generoso e ilustre capitão Liu Xugang.

– Eram bem formosas, lá isso eram!

Os três namorados lusos suspiram ruidosamente fazendo recrudescer os risos e os aplausos dos chins, numa galhofa mais própria da celebração de um casamento do que das exéquias de um parente.

– Se queríeis quebrar o jejum de mulher, não era aí que devíeis ter ido, mas sim ao jardim das flores ou, na falta de melhor, ao bairro das lanternas vermelhas.

118 Sunü jing ou Arte do Quarto de Cama (Clássico da Donzela Branca), um dos mais antigos livros de medicina chineses sobre sexo e sexualidade, dos finais do período Han, 27-260 d. C. Texto traduzido pela autora de uma versão em inglês.

XI

Um homem feliz é como um barco que navega com vento favorável

(chinês)

Do Sunü jing ou Arte do Quarto de Cama (Clássico da Donzela Branca):

Huangdi: Como podemos saber se a mulher está a sentir um orgasmo?

Sunü: Há cinco sinais, cinco desejos e dez movimentos. Podereis sabê-lo observando o processo da sua transformação.

Os cinco sinais da mulher:

1. A sua tez torna-se afogueada. O homem deve acariciá-la gentilmente.

2. Os mamilos endurecem e aparece transpiração no nariz. Então o homem deve penetrá-la devagar.

3. A sua garganta fica seca e ela engole. Agora o homem deve movimentar-se suavemente.

4. A vagina torna-se viscosa. Então a penetração pode ir mais fundo.

5. A sua secreção corre. O homem deverá retirar-se gentilmente.

Os cinco desejos da mulher que pedem resposta:

1. Pensamento: a mulher retém a respiração.

2. Vagina: as suas narinas e boca estão bem abertas.

3. Desassossego: fica excitada e abraça o seu parceiro.

4. Coração: a sua transpiração molha-lhe as roupas.

5. Orgasmo: ela estira o corpo e cerra os olhos.

Os dez movimentos da mulher:

1. Abraça o parceiro de tal modo que os seus genitais se tocam.

2. Estende as coxas de modo a esfregá-las contra o seu parceiro.

3. Expande o ventre para aumentar a excitação.

4. Move as nádegas para estimular o vigor e o prazer.

5. Ergue as pernas para obter maior penetração.

6. Aperta as coxas uma contra a outra para preparar o orgasmo.

7. Vira-se para um lado, a fim de conseguir uma penetração mais profunda, acariciando ao mesmo tempo ambos os lados.

8. Ergue o corpo para mostrar que se está a vir.

9. Estica o corpo para expressar a sua satisfação orgástica.

10. Termina o acto.

Se virdes os sinais acima mencionados, sabereis que a mulher teve o orgasmo.

Sendo uso entre pessoas de qualidade oferecer festas e banquetes, a fim de manter a face, acrescentando a sua honra e estado – as duas coisas que os chins mais prezavam no mundo –, Liu seguia a tradição. Nos dias de festim o monteo alargava a mão e os cordões à bolsa, a fim de receber os seus convidados com representações de farsas e exibições de animais bravios ou com os maiores primores de canto e dança, executados por formosas cortesãs e mulheres de partido contratadas nos mercados do vento e da lua, os seus bordéis, colhendo no fim a paga em louvores dos lisonjeiros e murmurações dos ociosos, para acrescentamento do nome da sua família.

Como os folangji eram a gente mais exótica, bárbara e cómica que havia visto em toda a sua vida, o monteo decidiu incluí-los entre os seus convidados para o banquete da primeira noite da lua cheia, um mês depois da entrada do estranho bando na sua casa. Nenhuma farsa ou ópera da melhor companhia de artistas de Pequim lograria causar nos seus refinados convivas o mesmo grau de diversão e espanto que o mero comportamento dos estrangeiros à mesa, condimentado pelo picante das suas canções e histórias. O capitão apostava a vida em como o seu banquete haveria de ser falado, durante muitas luas, com admiração, despeito e cobiça.

Liu fá-los sentar repartidos pelas mesas dos convivas, postas sem toalha, mas com guardanapos e louça de porcelana fina, a rescenderem de carnes de galinha, adem e porco, assadas ou cozidas, cortadas em pedacinhos, adubadas com muitas especiarias, alho e conservas, verdadeiros manjares dos deuses para a maioria dos famintos folangji que durante um ano tinham vivido de esmolas e do abominável rancho da prisão. Pluma de Fénix, Sino de Prata e Gota de Orvalho – três moças formosíssimas, tanto quanto permitem adivinhar o alvaiade e o arrebique com que pintam todo o rosto – conversam com os hóspedes, servindo-lhes vinho e oferecendo-lhes iguarias.

Tal como o monteo previra, os seus distintos convidados folgam muito com os estrangeiros, mirando-os sem disfarçarem a curiosidade, burlando-se com mil ditos e risos dos seus modos bárbaros, que eles sofrem de bom grado, conquanto possam comer à tripa forra e fartar o estômago.

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