E então Sor Gregor voltou, mais cedo do que o esperado, trazendo dessa vez um rebanho de cabras no lugar de prisioneiros. Arya ouviu dizer que havia perdido quatro homens num dos ataques noturnos de Lorde Beric, mas aqueles que Arya odiava regressaram incólumes e instalaram-se no segundo andar da Torre dos Gemidos. Weese mandou abastecê-los bem de bebida.
– Têm sempre muita sede, estes aí – resmungou. – Doninha, sobe e pergunta se têm alguma roupa que precise de remendos, e eu mandarei as mulheres tratarem disso.
Arya correu por seus degraus bem escovados. Ninguém prestou qualquer atenção nela quando entrou. Chiswyck estava sentado perto da lareira com um corno de cerveja na mão, contando uma de suas histórias engraçadas. Não se atreveu a interromper, porque não queria um lábio ensanguentado.
– Foi depois do Torneio da Mão, antes de a guerra chegar – Chiswyck estava dizendo. – Seguíamos no caminho de volta para o oeste, sete, mais Sor Gregor. Raff ia comigo, e o jovem Joss Stilwood, que tinha servido de escudeiro ao sor nas liças. Bom, chegamos a um mijinho de rio, que corria cheio porque tinha chovido. Não havia maneira de atravessar, mas tinha uma cervejaria ali perto, portanto, nem tudo estava perdido. Sor empurrou o cervejeiro e lhe disse para manter nossos cornos cheios até que as águas baixassem. Deviam ter visto os olhos de porco do homem brilhando ao ver a prata. Então veio nos trazer cerveja, ele e a filha, e era um negócio ralo e aguado, nada mais que mijo marrom, que não me deixou feliz, e ao sor também não. E o cervejeiro o tempo todo dizendo como estava contente por nos ter ali, que a freguesia andava fraca por causa das chuvas. O babaca não fechava a matraca, mesmo com o sor não dizendo uma palavra, pensando no Cavaleiro dos Maricas e naquele truque de velhaco que tinha usado. Dava pra ver como a boca dele se apertava, e então eu e os outros rapazes bem sabíamos que não era boa ideia dirigir-lhe nem que fosse um guincho, mas aquele cervejeiro tinha que falar, e até perguntou como o sor se saíra na justa. O sor só lhe deu aquele olhar – Chiswyck soltou um cacarejo, emborcou a cerveja e limpou a espuma com as costas da mão. – Entretanto, a filha dele andava de um lado para o outro servindo e indo buscar mais cerveja, uma coisinha gorda, com dezoito anos, por aí…
– O mais certo é treze – disse Raff, o Querido, com voz arrastada.
– Bem, seja como for, ela não era grande coisa de se ver, mas Eggon tinha bebido e ficou pegando nela, e pode ser que eu também tenha lhe dado umas pegadas, e Raff disse ao jovem Stilwood que devia arrastá-la lá pra cima e virar um homem, dando coragem ao rapaz. Por fim, Josse meteu a mão debaixo da saia, e ela guinchou, deixou cair o jarro e fugiu pra cozinha. Bom, devia ter ficado por ali, mas, o que fez o velho idiota? Foi até o
Todos os homens estouraram em gargalhadas, nenhum tão alto quanto o próprio Chiswyck, que ria tanto de sua história que deixou escorrer ranho de seu nariz para a áspera barba grisalha. Arya ficou nas sombras da escada observando-o. Deslizou de volta para o porão sem proferir uma palavra. Quando Weese descobriu que não tinha perguntado nada sobre a roupa, puxou seus calções para baixo e bateu nela com um pau até que sangue escorresse por suas coxas, mas Arya fechou os olhos e pensou em todos os ditados que Syrio lhe ensinara, e, assim, não sentiu o corretivo.