– Será como diz, Vossa Graça. Nenhum mal lhe acontecerá – os senhores fizeram reverências profundas e se retiraram.

– Diga o que tem a dizer, Senhora Stark – disse Renly. Brienne envolveu seus ombros largos com o manto. Era de fios de ouro, pesado, com o veado coroado dos Baratheon realçado por lascas de âmbar negro.

– Os Lannister tentaram matar meu filho Bran. Perguntei mil vezes a mim mesma por quê. Seu irmão deu-me a resposta. Houve uma caçada no dia em que caiu. Robert, Ned e a maior parte dos outros homens partiram em busca de javalis, mas Jaime Lannister permaneceu em Winterfell, tal como a rainha.

Renly não foi lento em perceber as implicações.

– Então acredita que o rapaz os apanhou em incesto…

– Suplico-lhe, senhor, dê-me licença para ir até seu irmão Stannis e contar-lhe as minhas suspeitas.

– O que objetiva com isso?

– Robb porá de lado sua coroa se o senhor e seu irmão fizerem o mesmo – disse, esperando que fosse verdade. Faria com que se tornasse verdade, se fosse preciso; Robb a escutaria, mesmo que os seus senhores não o fizessem. – Permita que vocês três convoquem um Grande Conselho, um conselho como o reino não vê há cem anos. Iremos a Winterfell, para que Bran possa contar sua história e todos fiquem sabendo que os Lannister são os verdadeiros usurpadores. Deixe que os senhores reunidos dos Sete Reinos escolham quem os governará.

Renly soltou uma gargalhada.

– Diga-me, senhora, os lobos gigantes votam em quem deve liderar a alcateia? – Brienne trouxe as manoplas e o elmo do rei, coroado com chifres dourados que acrescentariam meio metro à sua altura. – O tempo para conversas terminou. Agora veremos quem é mais forte – Renly calçou uma manopla articulada verde e dourada na mão esquerda, enquanto Brienne se ajoelhava para afivelar seu cinto, carregado com o peso da espada e do punhal.

– Suplico-lhe em nome da Mãe – começou a dizer Catelyn quando uma súbita rajada de vento abriu a porta da tenda. Pensou vislumbrar movimento, mas quando virou a cabeça viu apenas a sombra do rei movendo-se nas paredes de seda. Ouviu Renly começar um gracejo, com a sombra movendo-se, erguendo a espada, negra sobre verde, com as velas tremeluzindo, estremecendo... Algo estava estranho, errado... E, então, viu a espada de Renly ainda na sua bainha, ainda guardada, mas a espada de sombra…

– Frio – disse Renly numa voz fraca e confusa, um instante antes de o aço de seu gorjal se rasgar como um pedaço de queijo sob a sombra de uma lâmina que não estava lá. Teve tempo para um pequeno arquejo antes que o sangue começasse a jorrar de sua garganta.

– Vossa Gr… Não! – Brienne, a Azul, gritou quando viu o maligno jorro, parecendo tão assustada como uma garotinha. O rei caiu em seus braços, com um lençol de sangue cobrindo a parte da frente de sua armadura, uma maré vermelho-escura que afogou seu verde e ouro. Mais velas tremeluziram e apagaram-se. Renly tentou falar, mas estava se afogando em seu próprio sangue. Perdeu a força nas pernas, e só os braços de Brienne o mantiveram em pé. A jovem atirou a cabeça para trás e gritou, sem palavras em sua angústia.

A sombra. Catelyn sabia que algo escuro e maligno tinha acontecido ali, algo que nem podia começar a compreender. Aquela nunca foi a sombra de Renly. A morte entrou por aquela porta e apagou sua vida tão depressa como o vento extinguiu suas velas.

Só se passaram alguns instantes antes de Robar Royce e Emmon Cuy entrarem de rompante, embora parecesse ter durado metade da noite. Um par de homens de armas juntou-se atrás deles com archotes. Quando viram Renly nos braços de Brienne e ela ensopada no sangue do rei, Sor Robar deu um grito de horror.

– Maldita mulher! – gritou Sor Emmon, o do aço coberto de girassóis. – Afaste-se dele, vil criatura!

– Deuses benignos, Brienne, por quê? – Sor Robar perguntou.

Brienne ergueu os olhos do corpo de seu rei. O manto arco-íris que pendia de seus ombros tinha se tornado vermelho onde o sangue do rei o ensopara.

– Eu… eu…

– Morrerá por isso – Sor Emmon tirou um machado de batalha de cabo longo de entre as armas que estavam empilhadas junto à porta. – Pagará pela vida do rei com a sua!

não! – Catelyn Stark gritou, encontrando por fim a voz, mas era tarde demais, a loucura do sangue tinha se apossado deles, e correram em frente com gritos que se sobrepuseram às suas palavras mais suaves.

Перейти на страницу:

Поиск

Нет соединения с сервером, попробуйте зайти чуть позже