– Morto, mas não por nossas mãos.
– A batalha… – começou Hal Mollen.
– Não haverá batalha – Catelyn montou, e a escolta adotou uma formação ao seu redor, com Sor Wendel à esquerda e Sor Perwyn Frey à direita. – Brienne, trouxemos montarias suficientes para o dobro de nós. Escolha uma e venha conosco.
– Eu tenho meu próprio cavalo, senhora. E a minha armadura…
– Deixe-os. Temos de estar bem longe antes que pensem em nos procurar. Estávamos ambas com o rei quando ele foi morto. Isso não será esquecido – sem uma palavra, Brienne virou-se e fez o que lhe era pedido. – Vamos – ordenou Catelyn à escolta depois de todos terem montado. – Se alguém tentar nos parar, abatam-no.
À medida que os longos dedos da alvorada se abriam em leque pelos campos, a cor voltava ao mundo. Onde havia homens cinzentos, montados em cavalos cinzentos e armados com lanças de sombras, cintilavam agora as pontas de dez mil lanças numa frieza prateada, e na miríade de bandeiras agitando-se Catelyn viu o desabrochar do vermelho, rosa e laranja, a riqueza de azuis e marrons, a chama do dourado e do amarelo. Todo o poderio de Ponta Tempestade e Jardim de Cima, o poderio que tinha sido de Renly uma hora antes.
Um arrepio percorreu sua espinha.
Jon
O monte projetava-se por cima do denso emaranhado de floresta, erguendo-se solitário, repentinamente deixando ver suas alturas varridas pelo vento de quilômetros ao redor. Os patrulheiros diziam que os selvagens o chamavam de Punho dos Primeiros Homens. Jon pensou que
Cavalgou até o topo com Lorde Mormont e os oficiais, deixando Fantasma lá embaixo, entre as árvores. O lobo gigante tinha fugido três vezes enquanto subiam, regressando relutantemente em duas delas ao som do assobio de Jon. Na terceira, o Senhor Comandante perdeu a paciência e exclamou:
– Deixe-o ir, rapaz. Quero alcançar o cume antes do anoitecer. Procure o lobo mais tarde.
O caminho era íngreme e pedregoso, e o cume era coroado por um muro de pedras desprendidas dos rochedos, cuja altura chegava à altura do peito. O grupo foi forçado a dar uma grande volta para oeste até encontrar uma brecha suficientemente larga para que os cavalos passassem.
– Esta é uma boa posição, Thoren – proclamou o Velho Urso, quando enfim atingiram o topo. – Dificilmente encontraremos melhor. Faremos aqui o acampamento para esperar pelo Meia-Mão – o Senhor Comandante saltou da sela, desalojando o corvo do ombro. Queixando-se sonoramente, a ave levantou voo.
A vista do topo do monte era abrangente, mas o que atraiu os olhos de Jon foi o muro circular, as pedras cinzentas desgastadas, com suas manchas brancas de líquens e suas barbas de musgo verde. Dizia-se que o Punho tinha sido um forte anelar dos Primeiros Homens, na Idade da Alvorada.
– Um lugar velho e forte – disse Thoren Smallwood.
“
– Cale-se – rosnou Mormont para a ave. O Velho Urso era orgulhoso demais para admitir fraqueza, mas Jon não se deixava enganar. O esforço de acompanhar os homens mais novos estava custando caro.
– Esta elevação será fácil de defender se for necessário – notou Thoren enquanto levava o cavalo ao longo do anel de pedras, com o vento agitando seu manto forrado de zibelina.
– Sim, este lugar servirá – o Velho Urso ergueu uma mão para o vento, e o corvo aterrissou em seu antebraço, arranhando com as garras a cota de malha negra.
– E a água, senhor? – Jon quis saber.
– Atravessamos um riacho no sopé do monte.
– Uma longa subida para beber água – Jon observou –, e fora do anel de pedra.
Thoren rebateu:
– É preguiçoso demais para subir um monte, rapaz?
Lorde Mormont interveio:
– Não é provável que encontremos outro local tão forte como este. Vamos transportar água e nos assegurar de estarmos bem abastecidos.