Torta Quente estava tirando os pães do forno quando ela entrou de rompante na cozinha, mas já não estava sozinho. Tinham acordado os cozinheiros para alimentar Vargo Hoat e seus Saltimbancos Sangrentos. Criados levavam cestos cheios de pão e das tortas do Torta Quente, o cozinheiro-chefe cortava fatias de um presunto frio, assadores viravam coelhos enquanto as ajudantes de cozinha os pincelavam com mel, e mulheres cortavam cebolas e cenouras.

– Que é que você quer, Doninha? – perguntou o cozinheiro-chefe quando a viu.

– Caldo de carne – anunciou. – O senhor quer caldo de carne.

Ele sacudiu a faca de trinchar na direção das caldeiras negras de ferro penduradas sobre as chamas.

– O que você acha que é aquilo? Se bem que eu preferia mijar nele do que servi-lo àquele bode. Nem sequer deixa um homem ter uma noite de sono – o homem cuspiu. – Bom, não importa. Corra de volta e diga-lhe que não se pode apressar uma caldeira.

– Ele me disse para esperar aqui até ficar pronto.

– Então não fique na nossa frente. Ou, melhor ainda, torne-se útil. Corra à despensa; sua cabraria vai querer manteiga e queijo. Acorde Pia e diga-lhe que é melhor que seja rápida, por uma vez, se quiser ficar com os dois pés.

Arya correu tão depressa quanto pôde. Pia estava acordada no sótão, gemendo por baixo de um dos Saltimbancos, mas enfiou-se bem depressa na roupa quando ouviu seu grito. Encheu seis cestos com potes de manteiga e grandes cunhas de queijo malcheiroso enrolado em pano.

– Tome, ajude-me com isto – pediu a Arya.

– Não posso. Mas é melhor que se apresse, senão Vargo Hoat corta seu pé – e fugiu antes que Pia pudesse agarrá-la. No caminho de volta, perguntou a si mesma por que motivo nenhum dos cativos tinha as mãos ou os pés cortados. Talvez Vargo Hoat tivesse medo de irritar Robb. Apesar de não parecer ser do tipo de homem que tenha medo seja de quem for.

Torta Quente mexia as caldeiras com uma longa colher de pau quando Arya retornou às cozinhas. Pegou uma segunda colher e pôs-se a ajudá-lo. Por um momento, pensou que talvez devesse lhe contar, mas depois lembrou-se da aldeia e decidiu não fazer isso. Ele só iria se render outra vez.

Então ouviu o feio som da voz de Rorge.

Cozinheiro – gritou. – Vamos levar a merda do seu caldo – Arya largou a colher, receosa. Não lhe disse para trazê-los. Rorge usava o capacete de ferro, com a proteção que escondia parcialmente o nariz que lhe faltava. Jaqen e Dentadas entraram na cozinha atrás dele.

– A merda do caldo ainda não está pronta – o cozinheiro respondeu. – Tem de ferver. Acabamos de despejar as cebolas lá dentro e…

– Cale a matraca, senão lhe enfio um espeto rabo acima e pincelamos você durante uma volta ou duas. Eu disse caldo, e disse já.

Silvando, Dentadas tirou do espeto um pedaço meio assado de coelho e o rasgou com os dentes pontiagudos enquanto mel escorria entre seus dedos.

O cozinheiro aceitou a derrota.

– Então levem a merda do caldo, mas se a cabra perguntar por que é que tem tão pouco gosto, digam-lhe.

Dentadas lambeu a gordura e o mel dos dedos enquanto Jaqen H’ghar calçava um par de luvas bem almofadadas, depois deu um segundo para Arya.

– Uma doninha ajuda – o caldo estava fervendo e as caldeiras eram pesadas. Arya e Jaqen pegaram uma, Rorge transportou outra sozinho, e Dentadas agarrou mais duas, silvando de dor quando os pegadores queimaram suas mãos. Mesmo assim, não as deixou cair. Arrastaram as caldeiras para fora da cozinha e atravessaram o pátio com elas. Dois guardas tinham sido colocados à porta da Torre da Viúva.

– O que é isto? – perguntou um deles para Rorge.

– Um penico com mijo fervendo. Quer um pouco?

Jaqen sorriu de forma apaziguadora.

– Um prisioneiro também tem de comer.

– Ninguém disse nada a respeito de…

Arya o interrompeu.

– É para eles, não para você.

Com um gesto para passar, o segundo guarda disse-lhes:

– Então levem para baixo.

Depois de atravessar a porta, uma escada em espiral levava às masmorras. Rorge seguiu à frente, com Jaqen e Arya na retaguarda.

– Uma menina vai ficar fora do nosso caminho.

Os degraus terminavam numa galeria de pedra, úmida e fria, longa, sombria e sem janelas. Algumas tochas ardiam em arandelas na área mais próxima da escada, onde um grupo de guardas de Sor Amory estava sentado em volta de uma mesa de madeira cheia de marcas, conversando e jogando dominó. Pesadas barras de ferro separavam-nos do local onde os cativos se aglomeravam na escuridão. O cheiro do caldo de carne trouxe muitos deles para junto das barras.

Arya contou oito guardas, que também cheiraram o caldo.

– Esta é a criada mais feia que já vi – disse o capitão para Rorge. – O que há na caldeira?

– Seu caralho e os ovos. Quer comer ou não?

Um dos guardas estava andando para lá e para cá, outro encontrava-se em pé junto às grades, e um terceiro, sentado no chão com as costas apoiadas na parede, mas a expectativa de comer tinha trazido todos para junto da mesa.

– Já era mais que hora de nos alimentar.

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