Experimentando agora, Ako chegara mais perto, acariciara o peito de Tyrer, e depois baixara a mão. Tivera de fazer um tremendo esforço para não soltar uma risada, quando o homem reagira com um sobressalto de pavor. Levara um longo momento para se controlar, antes de murmurar:

— Taira-san?

— Ahn... hai, Ako-san?

Ela pegara a mão de Tyrer, enfiara por dentro da yukata, até seu seio, enclinara-se, beijara-o no ombro, alertada para tomar cuidado com o ferimento no braço, infligido por um bravo shishi. Não houvera reação. Ela chegara ainda mais perto. Sussurrando como ele era bravo, como era forte e viril, como a criada o descrevera e a seu fruto. E durante todo o tempo, paciente, acariciando o peito de Tyrer, sentindo-o estremecer, mas ainda sem paixão. Minutos passaram. Ainda nada. A preocupação de Ako aumentara. Dedos suaves como borboletas e, ainda assim, ele permanecera inerte... mãos, lábios, tudo. Carícias gentis, tomando cuidado para circular, ainda sem maior intimidade. Mais minutos. Ainda nada. A consternação de Ako crescia. O medo de que pudesse fracassar prevaleceu sobre a consternação. A língua fazendo contato com o ouvido dele.

Ah, uma recompensa mínima: o nome dele sussurrado, em tom gutural, e os lábios do homem beijando seu pescoço. Ela relaxara, encostara os lábios no mamilo de Tyrer. Agora, é apenas uma questão de tempo para explodir sua virgindade para o céu, e depois poderei pedir um saquê, dormir até o amanhecer esquecer que estou com quarenta e três anos, sem filhos, e apenas recordar que Raiko-san me salvou da casa de sexta classe a que fora relegada por minha idade e falta de beleza.

Sem nada para fazer, Tyrer observava os samurais na praça diante da legação, o sol quase encostando no horizonte, a mente absorvida em Ako, e duas noites mais tarde, Hamako.

E depois... Ela.

Fujiko. Na noite antes da última.

Sentiu que endurecia, e ajeitou essa parte do corpo de maneira mais confortável, sabendo que agora se encontrava inexoravelmente enleado naquele mundo, o mundo flutuante, onde a vida era apenas para o momento, como André lhe dissera, para o prazer, à deriva, sem qualquer preocupação, como uma flor na correnteza de um rio sereno.

— Nem sempre é calmo assim, Phillip. Como Fujiko é?

— Ahn... quer dizer que não a conhece? Nunca a viu?

— Não. Só fui informado por Raiko-san de que era o tipo de garota que você poderia apreciar, com ênfase no “dicionário de cama”. Como ela foi?

Tyrer soltara uma risada, para encobrir seu profundo constrangimento e inquietação, diante de uma pergunta tão pessoal, tão direta. Mas André lhe proporcionara tanto que ele resolvera ser “francês”, absolutamente franco. Por isso, pusera de lado as apreensões, o sentimento arraigado de que um cavalheiro não deveria discutir nem revelar tais informações pessoais.

— Ela... é mais jovem do que eu, pequena, talvez mesmo diminuta, não é bonita, não em nossos termos, mas espantosamente atraente. Creio que a entendi dizer que era nova ali.

— Estou querendo saber como ela foi na cama. Melhor do que as outras?

— Hum... não há como comparar.

— Ela foi mais vigorosa? Mais sensual?

— Hum.. .foi, sim. Vestida ou despida, incrível. Especial. Mais uma vez, devo dizer que não tenho palavras para agradecer por tudo o que fez por mim.

De rien, mon vieux.

— É verdade. Na próxima vez... na próxima vez você vai conhecê-la.

Mon Dieu, não, essa é a regra. Nunca apresente sua “especial” a ninguém, muito menos a um amigo. Não se esqueça de uma coisa: até que a instale em sua própria casa, com você pagando todas as contas, ela é disponível a qualquer um que tenha dinheiro... se ela quiser, é claro.

— Eu tinha esquecido — murmurara Tyrer, escondendo a verdade.

— Mesmo que se torne teúda e manteúda, ela ainda pode ter um amante secreto. Quem pode saber?

— Tem razão. Mais angústia.

— Não se apaixone, meu amigo, não por uma cortesã. Considere-as pelo que são, mulheres do prazer. Desfrute-as, goste delas, mas não as ame... e nunca deixe que se apaixonem por você...

Tyrer estremecera, odiando a verdade, odiando a idéia de Fujiko ir para acama com outro homem, como fizera com ele, odiando que fosse por dinheiro, odiando a ânsia que sentia entre as pernas. Por Deus, ela era mesmo especial, adorável, uma doce tagarela, gentil, tão jovem, há bem pouco tempo na casa. Devo sustentá-la? Não devo, mas posso? Tenho certeza que André montou uma casa, com sua amiga especial, embora nada comente a respeito, nem eu perguntaria. Oh, Deus, quanto custaria? Só pode ser mais do que tenho condições de gastar...

Não pense sobre isso agora! Nem nela.

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