— A Brock tem todo o açúcar havaiano que você precisar, a preços razoáveis.

— Seria uma mudança e tanto se qualquer coisa fosse razoável — comentou Dmitri, jovial.

Ele sabia de tudo sobre os imensos prejuízos que a Struan sofreria por causa do golpe de Tyler e Morgan Brock, mas deu de ombros para si mesmo. Não estou na guerra deles, já tenho a minha com que me preocupar. Deus do céu, como vai terminar?

— A guerra nunca é boa para o povo. O custo será tremendo... já souberam que Lincoln conseguiu fazer com que o Congresso aprovasse seu imposto de renda para pagar a guerra?

Todos os outros ficaram imóveis por um instante.

— Qual é a taxa?

— Três centavos por dólar — respondeu ele, com uma fúria intensa, o que fez com que todos rissem.

— Tem certeza?

— Recebi a informação hoje, por um mensageiro especial que chegou no Calif Belle.

— Três por cento? Vocês têm muita sorte, Dmitri — disse Jamie, seu prato quase vazio. — Eu esperava quinze.

— Ficou louco? Haveria uma revolução.

— Já estão metidos em uma. Seja como for, é a mesma coisa que nós, só que o de vocês será apenas por três anos, isso... ei, espere um pouco — disse Jamie, alteando a voz —, isso é o que Lincoln prometeu, jurou que seria apenas por três anos, segundo o último Frisco Chronicle, se o Congresso aprovasse. Três anos.

— É verdade, mas você conhece os desgraçados dos políticos, Jamie, depois que aprovam um imposto, no Congresso ou no Parlamento, nunca mais o revogam. São uns safados, todos eles. Três por cento é apenas o começo.

— Tem toda razão — interveio Norbert, também irritado, virando-se em seguida para Lun. — Vou querer outra fatia, com bastante creme. Tem toda razão sobre os impostos, Jamie. Bloody Pitt, o patife que inventou o imposto de renda, prometeu a mesma coisa e depois voltou atrás, como vai acontecer com Lincoln. Todos os políticos são mentirosos, mas Robert Peei devia ter sido açoitado.

— Robert Peei, o mesmo sujeito que criou uma força policial, os Peelers? — perguntou Dmitri, pegando outra colher de creme.

— O próprio. Os Peelers até que foram uma boa idéia... embora não fosse uma idéia só dele. Bem que poderíamos aproveitar alguns aqui, não resta a menor dúvida... mas imposto de renda? Uma coisa monstruosa!

Malcolm comentou:

— Peei foi um bom primeiro-ministro. Ele...

Norbert ignorou-o deliberadamente:

— Só tivemos esse maldito imposto por dois curtos períodos, durante as guerras napoleônicas, o que era bastante justo, mas foi rejeitado para sempre em 1.815, logo depois de Waterloo. Mas isso não impediu que Peei o trouxesse de volta em 1.841, a sete pence por libra, três por cento, como Jamie disse. E apenas por três anos. Mas ele não repudiou a promessa, com o apoio de todos os outros patifes? Vai permanecer para sempre, e aposto vinte guinéus contra um quarto de penny furado como Lincoln fará a mesma coisa. Vocês estão perdidos, Dmitri. Nós também, por causa do Peei, um desgraçado.

O tom era incisivo, para irritar Struan, embora ele concordasse, em particular, com a avaliação geral que o outro fizera de Peei. O bom humor de Struan se evaporava depressa.

— Conhaque, Lim, e depois feche a porta!

Lim serviu doses generosas e se retirou em seguida, junto com os outros quatro criados de libré. Norbert arrotou.

— O creme estava ótimo, jovem Malcolm. Agora, pode explicar a que devemos o prazer de tal banquete?

O ânimo à mesa grande mudou. Tomou-se mais sério.

— O que preocupa todos os mercadores. Sir William e a nossa exclusão da reunião com o xógum e o Bakufu.

— Concordo que o patife devia ser decapitado. Nunca ouvi falar de nada assim, em toda a minha vida!

— É verdade — disse Struan. — No mínimo, deveríamos ter um representante no encontro.

— Concordo — disse Dmitri, mais preocupado com os acontecimentos na América. Um irmão já morrera. Os distúrbios pela escassez de alimentos eram iminentes. — Nosso homem até que é um bom sujeito, mas é um ianque. Sugeri que me designasse para seu vice, mas ele recusou. O que tem em mente, Malc?

— Uma delegação conjunta, para garantir que isso nunca mais aconteça, um protesto ao governador e...

— Stanshope é um idiota, — interveio Norbert, com um sorriso insinuante —, mas fará o que sua mãe mandar.

— Ele não é nosso títere, se é isso o que deseja insinuar — declarou Struan, os olhos tão frios quanto a voz.

— Títere ou não, ele poderá dispensar Wee Willie? — indagou Dmitri.

— Não — respondeu Struan.— Essa decisão tem de partir de Londres. Minha idéia é que se William não concordar que devemos participar de quaisquer negociações no futuro, então vamos aconselhar Stanshope a adotar tal medida como política oficial... e ele pode fazer isso. Afinal, somos nós que pagamos os impostos, somos nós que negociamos com os chineses. Por que não acontece a mesma coisa aqui? Unidos, poderemos conseguir. Norbert?

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