— Lamento, Sr. McFay, mas eles querem falar pessoalmente com o
— É perigoso demais,
— Pode ser, mas também é uma oportunidade boa demais para se perder, Jamie. Nada assim jamais foi oferecido a qualquer um de nós. Se pudéssemos fechar um negócio desses, e melhor ainda em segredo, daríamos um gigantesco passo à frente. Quais são as condições para o acordo, Vargas?
— Eles não disseram,
— Não tem importância. Aceite o convite e nos reuniremos o mais depressa possível. Uma condição: o Sr. McFay irá comigo. Jamie, seguiremos de barco. Providencie um palanquim para eu usar em Kanagawa.
A reunião fora rápida e inesperadamente direta. Dois samurai
— Lorde Ota quer dois mineiros. Expertos. Poderão ir a qualquer lugar em suas terras... com guias. Sem armas. Ele garante salvo-conduto, dá bons alojamentos, comida, com todo
— Eles só vão procurar ouro?
— Claro que ouro. Lorde Ota diz que tem uma pequena mina, talvez mais nas proximidades. Vocês cuidam das vendas. Homens devem ser bons, devem ter experiência dos campos da Califórnia e Austrália. Concorda?
— Concordo. Levará algum tempo para encontrar os homens.
— Quanto tempo?
— Duas semanas, se houver algum na colônia... seis meses, se tivermos de trazê-los da Austrália ou América.
— Quanto mais cedo, melhor. Agora: quantos fuzis têm à venda neste momento?
— Cinco.
— Lorde Ota compra e também todos os fuzis de
— Esses rifles já estão prometidos. Podemos fornecer outros.
— Lorde Ota quer fuzis de
Nem Malcolm Struan nem McFay conseguiram demover o homem de sua posição. Ao final, Struan concordara e marcaram outra reunião, um mês depois, quando a companhia apresentaria um contrato simples, especificando suas garantias, e também os dossiês dos dois homens. Depois que os samurai
— Jamie, vá procurá-los na cidade dos bêbados. Pelo amor de Deus, apresse-se e tome todo cuidado, antes que Norbert descubra.
— Pode deixar comigo.
Em poucos dias, McFay descobrira dois homens qualificados, um americano e um cômico que era mineiro de estanho. Ambos haviam trabalhado nos campos de ouro perto de Sutter’s Mill, na Califórnia, e nas descobertas em Anderson’s Creek, na Austrália. No dia seguinte, os mineiros deveriam concluir a lista dos equipamentos que iriam precisar, e acertar os detalhes de seus contratos. Agora, consternados, Struan e McFay ouviram Norbert dizer:
— Já fechei esse negócio, jovem Malcolm. Está feito, pode esquecer. Levei a melhor e já despachei os dois para Iedo, ao encontro do samurai Watanabe. Onde será que aquele miserável aprendeu o inglês americano? Ele lhe contou? Ora, não importa. Meio a meio em qualquer ouro que descobrirmos é um bom negócio. — Sua risada se tornou ainda mais desdenhosa. — Quanto a William, eu o verei assim que ele voltar, não há problema. Dmitri, você me acompanha. Providenciarei tudo.
Ele fez uma pausa, olhando para Struan, os lábios se contraindo.
— Já que você não estará aqui, levarei Jamie comigo.
— Como?
Norbert tornou a arrotar.
— Não circulou a notícia de que sua mãe ordenou que voltasse a Hong Kong pelo próximo navio?
Jamie ficou vermelho.
— Escute aqui, Nor...
— Não se meta nisso, Jamie — gritou Struan. — Norbert, eu o aconselharia a escolher suas palavras com mais cuidado.
— É mesmo, meu jovem? Não ouvi direito que ela o quer de volta, mandou que embarcasse imediatamente, e seu capitão tem ordens para levá-lo de qualquer maneira?
— Isso não é da sua conta! Eu o aconselho...
— Tudo que acontece em Iocoama é da minha conta! — berrou Norbert. — E não aceitamos conselhos de ninguém da Struan, muito menos de um garoto que mal saiu das fraldas!
McFay levantou-se de um pulo, Struan pegou seu copo de conhaque e jogou o conteúdo na cara de Norbert.
— DeusTodo-Poderoso...
— Trate de se retratar, Norbert! — bradou Struan, com Dmitri e McFay estupefatos com a escalada da discussão. — Retire tudo o que disse ou exijo uma satisfação!