E ser lembrado do incidente com os
— Em algumas circunstâncias, Yoshi-sama, em algumas, mas duvido se sua arma ou quaisquer outras teriam algum valor esta noite. Duvido muito. Posso lhe perguntar seu propósito esta noite? Visitar nossas defesas externas e voltar? Ou uma de suas “pombas” está de partida para outro lugar?
Ambos sabiam que Yoshi não precisava justificar suas entradas ou saídas do castelo.
— Isso depende do que eu encontrar lá fora — disse ele, em tom brusco. — Posso decidir voltar ao meu domínio por um dia ou dois, talvez não... mas é claro que o manterei informado.
— O conselho sentiria falta de sua presença, mesmo que seja por uns poucos dias. Há muito a ser feito e teremos de tomar as decisões de qualquer maneira mesmo com sua ausência.
— Como concluímos esta tarde, não há nada de importante a ser decidido Além disso, felizmente, nada de grande monta pode ser resolvido sem a presença dos cinco anciãos.
— Há o problema do acordo com os gai-jin.
— Isso também ficou decidido esta tarde.
A reunião do conselho, depois da saída dos gai-jin, fora feliz e repleta de risos para variar, pela humilhação do inimigo, que mais uma vez fora logrado. Anjo, Toyama e Adachi haviam lhe dado os parabéns pela maneira hábil com que conduzira a confrontação, e por sua compreensão dos gai-jin, Zukumura pouco falando, limitando-se a alguns murmúrios de débil mental de vez em quando. Anjo comentara, rindo:
— Concordar em adiantar uma ninharia para afastá-los e a seus navios de Iedo, enquanto controlamos
Toyama dissera:
— E agora declaramos guerra a
— Não, não a guerra, pois há outros meios de submeter aquele cão. — Anjo sentia-se confiante com seu conhecimento recém-adquirido. — Você estava certo sobre os gai-jin, Yoshi-sama. Foi muito interessante constatar como a hostilidade entre eles se encontra bem perto de suas superfícies repugnantes.
Ele e Toyama haviam acompanhado a reunião por trás da plataforma, a parede ali lhes permitindo ver tudo, sem serem vistos.
— Isso mesmo, repugnantes. Pudemos até sentir o cheiro deles. Nauseante. Ordenei que a sala de audiência fosse lavada e destruídas as cadeiras em que eles sentaram.
— Excelente! — exclamara Adachi. — Fiquei arrepiado durante todo o tempo em que estive lá. Yoshi-sama, posso lhe perguntar sobre aquele macaco Misamoto, ele realmente contou tudo o que os gai-jin disseram? Não consegui ouvir uma só palavra.
— Nem tudo — explicara Yoshi —, mas o suficiente para me dar algumas indicações adiantadas, e apenas quando eles falavam inglês. Misamoto disse que na maior parte do tempo eles falavam outra língua, ele achou que era francês. Isso comprova outro pronto: precisamos de intérpretes de confiança. Proponho abrirmos uma escola de línguas para nossos filhos mais brilhantes imediatamente.
— Escola? — murmurara Zukumura. — Que escola? Ninguém lhe dera atenção.
— Discordo — declarara Toyama, a papada tremendo. — Quanto mais nossos filhos se aproximarem dos gai-jin, mais infectados se tornarão.
— Não — anunciara Anjo —, escolheremos pessoalmente os estudantes... devemos ter homens de confiança que conheçam as línguas dos bárbaros. Vamos votar. O
— Sinto muito, mas não concordo — dissera Yoshi. — Devemos fazer exatamente o oposto. Entregaremos a carta no prazo e também efetuaremos o segundo pagamento da chantagem na data marcada.
Todos se mostraram surpresos e Zukumura murmurara:
— Carta?
Yoshi expusera sua posição, com extrema paciência:
— Devemos manter os gai-jin desconcertados. Eles ficarão esperando uma protelação, o que não acontecerá. Assim, eles acreditarão que o prazo de cento e cinqüenta e seis dias também é certo, mas claro que não será. Vamos adiar e adiar, torcendo para que isso os deixe furiosos.
Todos riram com ele, até mesmo Zukumura, que não compreendia por que riam, mas rira assim mesmo... e ainda mais quando Yoshi relatara quantas vezes quase caíra na gargalhada durante a reunião, vendo como a impaciência dos gai-jin arruinava sua posição de barganha, já ilusória.
— Sem o cão matador, o amo é tão fraco quanto um filhote contra um homem com uma vara.
— Como? Um homem com uma vara? — indagara Zukumura, uma expressão aturdida nos olhos de peixe morto. — Que cão?