— Há quarenta samurais acompanhando-o, todos montados, mas sem carregar estandartes, e o próprio lorde Yoshi, como eu disse, está disfarçado. Saíram de Quioto pouco antes do amanhecer, há três dias, seguindo pela Tokaidô em marcha forçada, a caminho de Iedo, pelo que presumem meus superiores.
O
— Marcha forçada, hem? Quando eles poderiam alcançar Kanagawa? — Era a última estação de posta antes de Iedo. — Daqui a dez ou doze dias?
— É bem provável, embora com duas mulheres viajando... minha mensagem dizia que as duas cavalgavam... mas já mencionei isso... ah, sim, esqueci, lorde Yoshi disfarçava-se como um
Atordoado, Hiraga tomou mais saquê, mal sentindo o gosto, agradeceu pela informação, disse que tornariam a se encontrar no dia seguinte e saiu, seguindo para a choupana na aldeia que partilhava com Akimoto.
As ruas da aldeia estavam quietas. As lojas fechavam ao anoitecer. As luzes por trás das telas de
Koiko! Lembrava-se das duas ocasiões em que estivera com ela, uma ocasião à tarde, e a outra durante a noite. As duas haviam sido caras, bem caras, mas valeram a pena. Katsumata lhe dissera que nunca mais encontraria uma textura de pele assim, nem cabelos tão sedosos, nem tamanha fragrância, nem uma risada tão gentil nos olhos de uma mulher, jamais conseguiria experimentar outra vez tanto calor, explodindo pelo corpo, deixando-o com vontade de morrer, numa alegria intensa.
— Ah, Hiraga, morrer naquele momento — dissera Katsumata —, no auge, e levar isso com você para o além... se é que existe um além... seria a perfeição. Ou se não há nenhum além, ter a certeza ao saltar para o nada que experimentou o melhor, morrer no zênite... não seria uma totalidade de vida?
— É verdade, mas acho que é um tremendo desperdício. Por que treiná-la para Yoshi?
— Porque ele é a grande chave para
Isso significa que Katsumata enviou Sumomo para ser a adaga do ato? Ou foi para manter Koiko a salvo de traidores? Ou até mesmo para resguardar Yoshi de um traidor interno?
Eram muitas perguntas sem respostas.
Hiraga levantou-se, recomeçou a andar, a cabeça doendo mais do que nunca. Amanhã Akimoto irá com Taira a um navio de guerra. Hiraga pedira para ir também, mas não fora atendido.
— Sinto muito — dissera-lhe Tyrer. — Sir William autorizou seu amigo, Sr. Saito, a me acompanhar, mas só ele. E sem armas, é claro. É verdade que a família dele é a maior construtora de navios de Shimonoseki?
— É, sim, Taira-sama. O pai dele é o chefe da família.
— Mas os samurais não têm permissão para tratar de negócios.
— Isso é correto, Taira-sama — dissera ele, pois Tyrer era um discípulo esperto demais, e tinha de fazer com que a mentira parecesse verdadeira. — Mas muitas famílias de samurais fazem acertos com emprestadores de dinheiro e fazedores de barcos para cuidarem do trabalho,
Uma semana antes, ele introduzira o caso de Akimoto, com essa ficção, duranteuma de suas intermináveis reuniões com Sir William, na qual ficara de pé, respondendo a perguntas, e descobrindo bem pouca coisa em resposta.
— Seu nome é Saito, Sir William, família rica, vir aqui para ver navios da grande marinha britânica, ouvir grandes histórias sobre a grande marinha britânica. Talvez os dois poder trabalhar juntos, poder fazer fábrica de grandes navios.
Não chegava a ser uma mentira total. Por gerações, os antepassados de Akimoto viveram numa aldeia de pescadores, uma das três famílias de