— Ao negociar, seja paciente. Sempre pode reduzir o preço, mas nunca pode tornar a subi-lo. Outra coisa: nunca tenha medo de rir, chorar, gritar ou fingir que vai embora.
Agora, ele disse:
— Pedindo dez, duvido que
— Meio já é muito alto.
Se tivesse uma espada, ele poria a mão no punho e diria: “Três ou corto sua cabeça asquerosa!” Em vez disso, balançou a cabeça, com um ar de tristeza.
— Tem toda razão.
Hiraga começou a se levantar.
— Talvez meus superiores concordem com um.
Hiraga já estava quase na porta.
Sinto muito,
— Três!
O
— Tentarei fazer o acerto em três. Estes são momentos difíceis. Acabo de saber que há fome na minha aldeia, em Choshu. Terrível,
Ele viu os olhos do
— É, sim, Otami-sama. Muito em breve haverá fome por toda parte, até mesmo aqui.
Hiraga balançou a cabeça.
— Sei disso.
Ele esperou, deixando que o silêncio se tornasse opressivo.
O
— Nos tempos difíceis, amigos devem ajudar amigos. É possível que a Gyokoyama possa arrumar um pequeno crédito para ajudar. Como já falei antes, Otami-sama, seu pai e a família são clientes respeitados e valiosos.
Hiraga reprimiu as palavras iradas com que, em circunstâncias normais, teria reagido a tratamento tão condescendente.
— Seria esperar demais — disse ele, tateando o caminho naquele novo mundo de lucro e perda... o lucro de uma pessoa é o prejuízo de outra, explicara
— Seria imediato. Providenciarei tudo.
— Obrigado. Talvez até eles considerem um crédito substancial, talvez um empréstimo direto, quem sabe de um koku... — Ele percebeu o brilho de raiva nos olhos, controlado no mesmo instante, e se perguntou se não teria ido longe demais. — ...por serviços prestados pela família.
Outro silêncio, e depois o
— No passado... e no futuro.
Os olhos de Hiraga se tornaram tão frios quanto os do
— Claro. — Uma pausa, e Hiraga acrescentou, a voz suave: — Até depois de amanhã,
O
— Até lá, Otami-sama.
Outra vez na rua, oculto pela noite, Hiraga permitiu que seu triunfo se elevasse com sua alma. Um koku inteiro e os créditos, agora só precisava imaginar como trocar os três koku que o
Tanto por tão pouco, pensou ele, exultante, ao mesmo tempo em que se sentia conspurcado, precisando de um banho.
Ah, almirante — disse Malcolm Struan —, podemos ter uma conversa em particular?
— Pois não, senhor.
O almirante Ketterer levantou-se, um dos vinte convidados ainda à mesa na sala grande do prédio da Struan, saboreando o porto, que Angelique deixara, antes de se retirar. Ketterer usava o uniforme para a noite, calça até os joelhos, meias brancas de seda, fivelas de prata nos sapatos, mais rubicundo do que o habitual, depois de devorar uma sopa hindu com caril, peixe grelhado, uma porção dupla de rosbife, pastelão de Yorkshire com batatas assadas, legumes importados da Califórnia, um bolo de galinha e faisão, pedaços de salame de porco fritos, seguindo-se uma torta de maçã seca californiana, com bastante do agora famoso creme da Casa Nobre, e, para encerrar, o
— Bem que estou precisando de respirar um pouco de ar fresco —acrescentou o almirante.
Malcolm seguiu à frente para as portas laterais de vidro, a boa comida e o vinho amortecendo a dor. Fazia um pouco de frio lá fora, mas era revigorante, depois do ar abafado na sala.
— Charuto?
— Obrigado.