No início do século XVII, com a aprovação entusiástica do xógum Toranaga, ela projetara um distrito murado, onde no futuro todas as casas de prazer de Iedo, altas e baixas, teriam de conduzir seus negócios, exclusivamente — naquele tempo, os bordéis espalhavam-se por toda a cidade —, um lugar chamado Yoshiwara, a área dos juncos, que fora oferecido por Toranaga. Depois, ela criara uma nova classe de cortesãs, as gueixas, treinadas e qualificadas nas artes, que não eram disponíveis para o travesseiro, em caráter rotineiro.
Mais tarde, ela passara a emprestar dinheiro, concentrando-se na Yoshiwara de Iedo, para em seguida estender seus tentáculos a todas as outras, à medida que eram institucionalizadas por todo o país, já que o xógum Toranaga previra, sabiamente, que em tais distritos as prestadoras de serviços e seus clientes seriam controlados e taxados com mais facilidade.
Por último, o que fora incrível naquele tempo, ela persuadira o xógum Toranaga — ninguém sabia ainda como — a fazer de seu filho mais velho um samurai. Em pouco tempo, seus outros filhos prosperaram: na construção de barcos, como mercadores de arroz, fabricantes de saquê e cerveja, e seus descendentes eram hoje proprietários ou silenciosos controladores de uma vasta rede de negócios. Em poucos anos, ela obtivera permissão para que o ramo samurai assumisse o nome de Shimoda. Agora, o Shimoda era daimio hereditário do pequeno, mas próspero feudo do mesmo nome, em Izu. Fora ela quem escolhera a inscrição sobre o portão da Yoshiwara:
—
— Deve esperar, dama, ser paciente e esperar — respondeu ele, hesitante, ainda exibindo sua máscara de apreensão.
Também notou, de imediato, que os soluços podiam ser mais altos e mais desesperados, mas os olhos se mostravam mais impiedosos do que jamais os vira.
— Esperar? Esperar pelo quê? Esperar, é claro, mas o que mais?
— Ainda não sabemos de tudo, não conhecemos os detalhes, dama, o que de fato aconteceu. Sinto perguntar, mas há alguma possibilidade de que a dama Koiko participasse da conspiração?
Ele cravava e torcia uma faca no ferimento já aberto, pelo puro prazer do tormento. Embora a Gyokoyama não tivesse provas, desconfiava que Meikin dispensava perigoso apoio a
— Koiko numa conspiração? Minha beleza, meu tesouro? Claro que não! — explodiu Meikin. — De jeito nenhum!
— Meikin-san, pode ter certeza de que lorde Yoshi, ao voltar, mandará procurá-la, como a
Não havia razão para qualquer das mulheres perguntar que inimigos. O sucesso gerava a inveja e ódios secretos por toda parte — em particular entre os melhores amigos —, e no mundo flutuante, um mundo só de mulheres, mais que em qualquer outro lugar. E as duas eram bem-sucedidas.
Meikin já superara o choque inicial e sua mente se concentrava nos meios de escapar — caso Yoshi desconfiasse, ou Koiko a tivesse denunciado, ou ele tivesse provas de que tanto ela quanto Koiko apoiavam
— O que eu poderia dar ao grande lorde Yoshi? — indagou Meikin, a voz rouca, sentindo-se mais desesperada do que nunca antes.
— Talvez... talvez informações.
— Que tipo de informações?
— Sinto muito, mas não sei — respondeu o
Amanhã poderia ser diferente, mas naquela noite ele ainda precisava fingir, manter as aparências, independentemente do que pensasse da estupidez das duas! Pois era uma estupidez abraçar a sedição com um pênis, ainda mais quando os possuidores