— Não sei, dama, mas lorde Yoshi deve estar preocupado, bastante preocupado, com o que a infame esquadra dos gai-jin pode fazer. Eles se preparam para a guerra, neh?

No momento em que disse isso, ele percebeu que os olhos de Meikin se tornaram ainda mais frios, fixados em Raiko, que corou um pouco. Ah, pensou ele, exultante, elas já sabem... e não podia deixar de ser assim, já que deitam com os abomináveis gai-jin! Por todos os deuses, se existem deuses, o que elas sabem a Gyokoyama deve saber também, e o mais depressa possível.

— Essa notícia pode... atenuar a dor de lorde Yoshi — acrescentou ele, balançando a cabeça, com o ar sensato de banqueiro. — E também a sua.

A meia centena de passos de distância, numa habitação dentro dos muros, no meio dos jardins, Phillip Tyrer sentava de pernas cruzadas, de banho tomado, repleto de comida e saquê, nu sob o yukata, e num estado de êxtase. Fujiko ajoelhava-se por trás, as mãos experientes massageando os músculos de seu pescoço, encontrando os pontos de prazer e dor. Ela usava um yukata de dormir, os cabelos soltos, e agora chegou mais perto, mordeu delicadamente o lóbulo de sua orelha, perto do centro, o ponto mais erótico. Sua língua aumentou o prazer de Tyrer ainda mais.

Os dedos se insinuaram sensuais por seus ombros, em movimentos rápidos, dissipando suas preocupações, as reuniões com Sir William e Seratard, ajudando seu chefe a lidar com aquele francês e suas constantes e insidiosas tentativas de conquistar uma vantagem, por menor que fosse, quando a verdade, pensara ele, que o homem contava apenas com dois navios medíocres, quando nós temos uma esquadra inteira de navios de primeira linha, tripulados por homens, não por sicofantas.

Tomando anotações, e depois ordenando tudo em dois planos de batalha alternativos, em inglês e francês diplomáticos corretos para os respectivos governos, e em ordens mais objetivas mais para o almirante e o general executarem, o tempo passando depressa, e a dor de cabeça aumentando. Mas André fora um trunfo na reunião daquela manhã, bem preparado, durante todo o tempo sugerindo idéias e datas, manobrando os dois participantes principais a concordarem e tomarem decisões, todos os quatro fazendo um juramento de sigilo.

E, finalmente, deixando a legação, atravessando a ponte, batendo na porta, aberta no mesmo instante pela própria Raiko, que fizera uma reverência, atravessando o jardim, tomando um banho, comendo e bebendo, mas antes disso Raiko começara por fim a tratá-lo como uma autoridade importante merecia.

Já não era sem tempo, pensou ele, mais do que um pouco satisfeito, cada nervo sintonizado com os dedos de Fujiko...

A maior parte da mente de Fujiko se concentrava na advertência de Raiko: — Alguma pessoa de baixa classe, vil e faminta, da casa do Lírio, seduziu nosso lorde gai-jin a se afastar de nós. A grande custo, consegui atraí-lo de volta, fazendo muitas concessões aos intermediários. Não falhe esta noite, pois pode ser a sua última chance de prendê-lo a nós com cordões de seda. Use todos os recursos, todas as técnicas... até mesmo a lua por trás da montanha.

Fujiko hesitou. Nunca tentara aquilo antes, nem mesmo no embate mais ardente. Não importa, ela disse a si mesma, estóica, é melhor uns poucos momentos insólitos de comportamento excêntrico... do que não ter nenhum pagamento gai-jin esta noite, nenhum pagamento para um ano de lazer.

Enquanto seus dedos chegavam mais perto, os suaves murmúrios começavam, imagens de devaneio de sua casa de fazenda passaram a se intrometer, as crianças, o marido maravilhoso, os arrozais, tudo lindo, espetacular... Com firmeza, ela relegou as imagens para o fundo da mente. Até o cliente adormecer, ordenou a si mesma.

Esta noite você vai seduzir o cão ingrato para sempre! É uma questão de honra para toda a casa das Três Carpas! Preterida por uma pessoa de baixa classe da casa do Lírio?

De jeito nenhum!

44

O clíper Prancing Cloud deu um puxão na âncora, com a mudança da maré noturna.

— Está bem seguro, senhor — disse o primeiro-piloto.

O capitão Strongbow acenou com a cabeça, e continuou a fumar seu cachimbo. Estavam no tombadilho superior. O vento fazia ranger a mastreação por cima. Strongbow era um corpulento homem de cinquenta anos, perspicaz e experiente.

— Será uma boa noite, mister, fresca, mas não fria. — Ele sorriu, e acrescentou baixinho: — Boa para os nossos hóspedes, hem?

O primeiro-piloto, também alto, duro e curtido, mas com a metade de sua idade, olhou para os dois hóspedes, e sorriu também.

— Tem toda razão, senhor.

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