Hiraga saiu para a estrada, encaminhou-se para o outro lado da barreira. Sentiu-se irritado com os maus modos e a hostilidade geral, uns poucos samurais beligerantes e alguns viajantes forçando-o a se desviar, o que ele fizera. Ao mesmo tempo, sentia-se satisfeito porque todos o tomavam por
Sentindo que atraía muita atenção, como de fato ocorria, ele passou por pessoas flanando, sentadas em bancos ou às mesas, inclinadas sobre braseiros, que sempre lhe lançavam olhares irados e insolentes. De repente, ouviu o assobio baixo, o sinal combinado. Era muito bem treinado para reconhecê-lo e experiente demais para não se virar. Parecia vir do lado esquerdo. Com cansaço simulado, ele escolheu um banco afastado da rua, no restaurante mais próximo, e pediu uma cerveja. A criada trouxe no mesmo instante. Nas proximidades, os camponeses que comiam tijelas matutinas de papa de arroz, junto com saquê quente, trataram de se afastar, como se ele fosse portador da praga.
— Não se vire ainda — murmurou Katsumata. — Não o reconheci. Seu disfarce é perfeito.
— O seu também deve ser,
A risada, bem conhecida e admirada.
— Largue alguma coisa no chão e, ao pegá-la, olhe ao redor por um instante. Hiraga obedeceu e por um instante viu o único homem ao alcance de sua voz, um ronin de aparência desvairada, barbudo, olhar venenoso, com uma cabeleira imunda, fitando-o com um olhar irado. Ele tornou a virar as costas e murmurou:
— Puxa,
— Não mais “
— Na nossa Yoshiwara... casa das Três Carpas.
— Estarei lá em dois ou três dias... é vital criar um incidente com os
— Que tipo de incidente?
— Bem grave.
— Está bem. Fiquei aliviado ao receber sua mensagem... não sabíamos que viria para cá. Houve rumores incríveis sobre lutas em Quioto... Akimoto se encontra comigo, mas estamos sozinhos, e perdemos muitos
— Quioto foi ruim. Antes de partir, entreguei Sumomo a Koiko, que voltava para cá, com Yoshi, a fim de espioná-lo, e descobrir quem nos traía... deve ser um dos nossos homens... uma oportunidade boa demais para perder e também para tirá-la de Quioto sã e salva. — Os olhos de Katsumata não cessavam de inspecionar os outros homens, embora não estivessem próximos, e evitassem olhar em sua direção. — Desfechamos dois ataques contra Yoshi, ambos fracassaram, nossa casa segura foi traída, Ogama e Yoshi, operando juntos, nos emboscaram. E nós...
— Puxa! — murmurou Hiraga, bastante preocupado. — Eles se tornaram aliados?
— Por enquanto. Perdemos muitos líderes e homens, darei os detalhes mais tarde, mas nós, Sumomo, Takeda, eu e alguns outros conseguimos escapar. Estou contente por vê-lo, Hiraga. Vou embora agora.
— Espere. Ordenei que Sumomo voltasse para Choshu.
— Ela me trouxe informações valiosas sobre a situação aqui e sobre Shorin e Ori. Sugeri que continuasse até Choshu, mas ela quis ficar, pensando que poderia ajudá-lo. Como está Ori?
— Morto. — Ele ouviu Katsumata praguejar, Ori fora o seu discípulo predileto. — Os
Hiraga falava depressa, seu nervosismo aumentando.
— Há um rumor aqui de que houve um ataque
— Sinto muito, mas foi Sumomo. — A cor se esvaiu do rosto de Hiraga, enquanto Katsumata acrescentava: — Koiko traiu-a, a prostituta denunciou-a a Yoshi e com isso traiu a
— Como Sumomo morreu?
— Como uma
Portanto, Sumomo tinha uma missão, pensou Hiraga, com súbita percepção, todo o seu ser um vulcão — você esperava que ela fosse traída e ainda assim a enviou para o perigo. Havia um aperto em sua garganta. Ele forçou-se a fazer a pergunta essencial:
— Como eles a sepultaram? Foi com honra?
Se Toranaga Yoshi não a tivesse honrado depois da luta e morte com bravura, então ele o caçaria, com a exclusão de todo o resto, até que um dos dois morresse. Hiraga era o líder dos
— Por favor, tenho de saber, foi com honra?