Hosaki balançou a cabeça, depois inclinou-se para a frente, sabendo que tinha a atenção total do marido.

— Mais uma vez, foi você quem proporcionou a solução, Yoshi-chan. Poderia procurar esse importante mercador de Iocoama, em segredo, o mesmo que me contou que achava que ia fornecer fuzis a Choshu... concordo que devemos obter fuzis e canhões modernos a qualquer custo, ao mesmo tempo em que impedimos os inimigos de adquiri-los. Poderia lhe oferecer a concessão para a exploração do ouro, com exclusividade. Em troca, ele providencia tudo o que for necessário para a pesquisa e mineração. Só aceitaria um ou dois peritos desarmados e é claro que eles seriam vigiados de perto. Como compensação, receberia adiantado muitos canhões e fuzis, contra a metade do ouro encontrado, e esse mercador concorda em vender armas apenas a você. Nunca a Choshu, Tosa ou Satsuma. Sorri, Sire?

— E nosso intermediário seria Misamoto?

— Sem a sua sagacidade em descobri-lo e treiná-lo, isto não seria possível.

Ela falou com total deferência e recostou-se, secretamente satisfeita, escutando os comentários de Yoshi e suas respostas, sabendo que ele iniciaria a execução do plano o mais depressa possível, que acabariam conseguindo as armas de alguma forma, sem abrir mão de suas preciosas reservas de arroz. Pouco depois, Hosaki já pôde fingir que se sentia exausta e pedir permissão para descansar.

— Deveria também repousar, Sire, depois de um exercício tão maravilhoso, embora extenuante...

Claro que ele deveria, um homem tão excepcional, pensou Hosaki. E, uma vez no quarto, com muitos elogios, pedindo permissão para massagear os músculos cansados dos ombros, pouco a pouco, com a devida cautela, se tornando mais insinuante, deixando escapar um ou outro suspiro, faria com que ele se tornasse tão íntimo quanto podia desejar. A mesma intimidade que ele tinha com Koiko.

Antes, Koiko pedira permissão para visitá-la, fizera uma reverência, agradecera, dissera que esperava que seus serviços agradassem ao grande lorde, que sentia-se honrada por poder ingressar naquela família, mesmo que por um breve período. Conversaram por algum tempo e, depois, ela se retirou.

Uma beleza e tanto, pensou Hosaki, sem ciúme, nem inveja. Yoshi tem direito a uma diversão, por mais dispendiosa que seja, de vez em quando. A beleza dessas mulheres é muito frágil, transitória, uma vida tão triste, autênticas flores de cerejeira, da árvore da vida. O mundo de um homem é muito mais excitante fisicamente, do que o nosso. Ah, ser capaz de ir de flor em flor, sem angústia ou preocupação...

Se a punição até por uma pequena aventura de nossa parte não fosse tão imediata e severa, as mulheres considerariam a possibilidade com mais frequência Não é verdade? E por que não? Se fosse seguro.

Às vezes, quando Yoshi está ausente, o pensamento de perigo tão intenso e morte imediata é um afrodisíaco quase irresistível. Uma tolice, por um prazer tão fugaz. Ou será que não?

Ela esperou, observando-o, experimentando profunda satisfação, adorando o jogo da vida, enquanto sua mente fervilhava com variações do plano, e como usar a criação de Yoshi, Misamoto.

Começarei logo, pensava ele. Hosaki possui uma boa mente e é hábil em articular minhas idéias. Mas ter aquele pensamento sobre o menino foi baka demais, por mais correta que tal ação pudesse ser, como um ato de interesse do Estado. As mulheres não têm qualquer sutileza.

Na colônia, naquela madrugada, pouco antes da alvorada, Jamie McFay deu um beijo final em Nemi, depois seguindo juntos pelo corredor até a suíte de Malcolm Struan. Ele bateu de leve na porta, que foi aberta no mesmo instante. A jovem, Shizuka, saiu, fechou a porta, exibiu um sorriso curioso e começou a sussurrar para Nemi que, em seguida, pegou McFay pelo braço e levou-o até o patamar.

— O que foi? Má notícia? — indagou ele, nervoso.

Vislumbrara Struan na cama enorme, mergulhado num sono profundo, antes de a porta ser fechada, e tivera a impressão de que estava tudo bem. Nemi não lhe deu qualquer atenção e continuou a interrogar a outra moça. Exasperado, McFay insistiu:

— O que foi, Nemi? Qual a má notícia?

Ela hesitou, e depois, com um fluxo inicial de desculpas em japonês, fitou-o radiante.

— Não má, Jami-san, você ir Yoshiwara amanhã, sim, não?

Ela pôs o manto, começou a descer a escada, mas McFay a deteve.

— Qual é a má notícia, Nemi? — indagou ele, desconfiado.

A moça fitou-o em silêncio por um momento, depois mais japonês que ele não entendeu. Ao final, deu de ombros e arrematou:

— S’gr’d, wakarimasu ka?

— S’gr’dl O que isso significa?

— S’grid, Jami-san, hai?

— Ah, segredo, pelo amor de Deus! Wakarimasu! Qual é o segredo? Ela suspirou de alívio, tornou a sorrir.

— S’gr’d, bom! S’gr’d, Jami-san, Shizuka, Nemi. Hai? Hai?

— Hai. Manter segredo. E agora o que foi?

Mais japonês e pidgin, incompreensíveis enquanto as duas vestiam os mantos para sair. Frustrada porque não conseguia explicar direito, ou pelo simples fato de ter de explicar, Nemi imitou bastante movimento, e sussurrou:

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